“Passos em falso”: conheça os erros que prejudicam a saúde dos pés

Os nossos pés acompanham-nos em todas as jornadas da nossa vida, impulsionam-nos a ultrapassar os obstáculos com que nos deparamos e empurram-nos na direção das metas que vamos delineando. Contudo, são poucas as vezes em que nos apercebemos de todos os esforços que os nossos pés enfrentam no dia a dia.

Por serem a nossa base sólida de sustentação, são os pés que suportam o peso do nosso corpo e que funcionam à semelhança dos alicerces das casas, garantindo-nos o equilíbrio necessário para a adoção de uma boa postura corporal. Razão pela qual é enorme o desgaste a que estão submetidos quando, por exemplo, passamos várias horas em pé durante o horário laboral. Adicionalmente, os nossos pés funcionam como molas/alavancas durante a deambulação, impulsionando o corpo durante a marcha. Assumindo o arco longitudinal interno do pé um papel na absorção de impactos e no armazenamento de energia, os pés são assim responsáveis por receber e distribuir o peso do organismo, ao mesmo tempo que se adaptam às superfícies irregulares pelas quais caminhamos.

Com funções biomecânicas variadas e complexas, os nossos pés são compostos por três grupos ósseos (tarso, metatarso e falanges), músculos, ligamentos e articulações, sendo revestidos pela pele e estando as pontas dos dedos protegidas pelas unhas. Pela sua enorme relevância, é agora fácil perceber o quão crucial é protegermos todas as suas estruturas, evitando comportamentos incorretos que as podem prejudicar.

Quais são as consequências desses comportamentos comuns e inadequados?

É relevante ressalvar que a falta de mobilidade e o aumento dos níveis de sedentarismo, em resultado de alguns hábitos adquiridos face à pandemia, prejudicam a saúde dos pés e que entre as suas potenciais consequências se encontram a má circulação, as dores nos membros inferiores, o edema, a redução da flexibilidade, a atrofia muscular e o excesso de peso.

De seguida, importa falar sobre a utilização de sapatos com saltos altos e finos, que levam a uma diminuição da área de apoio do pé e a uma concentração do peso corporal, o que aumenta o risco de quedas, entorses e inflamação. Depois, e ainda relativamente ao calçado, destaco que o volume do pé aumenta durante o dia, pelo que é um erro não garantirmos uma margem suficiente entre a ponta do dedo grande do pé e o sapato, sendo o calçado apertado um fator potenciador de calosidades. Tendo isso conta, é preferível escolher um calçado com atacadores ou tiras de velcro, para que possa ser ajustado.

Enquanto o sol não brilha com todo o seu esplendor e o calor não se faz sentir, penso que é também importante alertar para os perigos de aproximar demasiado os pés das lareiras, dos aquecedores, dos radiadores ou dos sacos de água quente, uma vez que as altas diferenças de temperaturas são prejudiciais. Concomitantemente, pelo risco de queimadura, as pessoas com diabetes devem ter um cuidado redobrado.

Dado que a xerose cutânea não é um problema exclusivo dos meses quentes, deve adotar-se um comportamento preventivo durante todo o ano, no que diz respeito a este problema, que está relacionado com a desidratação da pele. Assim, os banhos de água demorados e excessivamente quentes, beber água em quantidades insuficientes e esquecer a hidratação dos pés são alguns atos que podem estimular uma pele áspera, irritada e sem flexibilidade, bem como o desenvolvimento de fissuras e gretas, que podem funcionar como uma porta de entrada para organismos patogénicos.

Adicionalmente, aderir à moda de usar sapatos sem meias ou preferir meias de materiais sintéticos são alguns erros relativamente comuns, que podem promover o desenvolvimento de infeções fúngicas. Já não trocar de meias, quando estas ficam húmidas ou molhadas, quer seja pelo excesso de transpiração ou devido aos dias de chuva, cria também um ambiente propício ao surgimento de micoses e irá provocar desconforto pela exposição da pele ao frio e à humidade, aumentando a sensação de arrefecimento e o risco de frieiras. Paralelamente, de modo a prevenir o desenvolvimento de fungos e o crescimento de bactérias responsáveis por maus odores, deve evitar-se usar o mesmo par de sapatos dois dias consecutivos.

Relativamente às unhas dos pés, fazer um corte arredondado dos cantos, não ajuda a que a unha cresça para além da pele nas margens do dedo, o que pode levar à onicocriptose (vulgarmente reconhecida como “unha encravada”).

Não consultar um especialista para avaliar o pé em caso de alterações visíveis ou dor é uma opção que pode levar ao agravamento de problemas podológicos e ao desenvolvimento de complicações.

Artigo de opinião de Francisco Oliveira Freitas, podologista responsável pelo Centro de Podologia de Famalicão

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