“Passos em falso”: conheça os erros que prejudicam a saúde dos pés

Os nossos pés acompanham-nos em todas as jornadas da nossa vida, impulsionam-nos a ultrapassar os obstáculos com que nos deparamos e empurram-nos na direção das metas que vamos delineando. Contudo, são poucas as vezes em que nos apercebemos de todos os esforços que os nossos pés enfrentam no dia a dia.

Por serem a nossa base sólida de sustentação, são os pés que suportam o peso do nosso corpo e que funcionam à semelhança dos alicerces das casas, garantindo-nos o equilíbrio necessário para a adoção de uma boa postura corporal. Razão pela qual é enorme o desgaste a que estão submetidos quando, por exemplo, passamos várias horas em pé durante o horário laboral. Adicionalmente, os nossos pés funcionam como molas/alavancas durante a deambulação, impulsionando o corpo durante a marcha. Assumindo o arco longitudinal interno do pé um papel na absorção de impactos e no armazenamento de energia, os pés são assim responsáveis por receber e distribuir o peso do organismo, ao mesmo tempo que se adaptam às superfícies irregulares pelas quais caminhamos.

Com funções biomecânicas variadas e complexas, os nossos pés são compostos por três grupos ósseos (tarso, metatarso e falanges), músculos, ligamentos e articulações, sendo revestidos pela pele e estando as pontas dos dedos protegidas pelas unhas. Pela sua enorme relevância, é agora fácil perceber o quão crucial é protegermos todas as suas estruturas, evitando comportamentos incorretos que as podem prejudicar.

Quais são as consequências desses comportamentos comuns e inadequados?

É relevante ressalvar que a falta de mobilidade e o aumento dos níveis de sedentarismo, em resultado de alguns hábitos adquiridos face à pandemia, prejudicam a saúde dos pés e que entre as suas potenciais consequências se encontram a má circulação, as dores nos membros inferiores, o edema, a redução da flexibilidade, a atrofia muscular e o excesso de peso.

De seguida, importa falar sobre a utilização de sapatos com saltos altos e finos, que levam a uma diminuição da área de apoio do pé e a uma concentração do peso corporal, o que aumenta o risco de quedas, entorses e inflamação. Depois, e ainda relativamente ao calçado, destaco que o volume do pé aumenta durante o dia, pelo que é um erro não garantirmos uma margem suficiente entre a ponta do dedo grande do pé e o sapato, sendo o calçado apertado um fator potenciador de calosidades. Tendo isso conta, é preferível escolher um calçado com atacadores ou tiras de velcro, para que possa ser ajustado.

Enquanto o sol não brilha com todo o seu esplendor e o calor não se faz sentir, penso que é também importante alertar para os perigos de aproximar demasiado os pés das lareiras, dos aquecedores, dos radiadores ou dos sacos de água quente, uma vez que as altas diferenças de temperaturas são prejudiciais. Concomitantemente, pelo risco de queimadura, as pessoas com diabetes devem ter um cuidado redobrado.

Dado que a xerose cutânea não é um problema exclusivo dos meses quentes, deve adotar-se um comportamento preventivo durante todo o ano, no que diz respeito a este problema, que está relacionado com a desidratação da pele. Assim, os banhos de água demorados e excessivamente quentes, beber água em quantidades insuficientes e esquecer a hidratação dos pés são alguns atos que podem estimular uma pele áspera, irritada e sem flexibilidade, bem como o desenvolvimento de fissuras e gretas, que podem funcionar como uma porta de entrada para organismos patogénicos.

Adicionalmente, aderir à moda de usar sapatos sem meias ou preferir meias de materiais sintéticos são alguns erros relativamente comuns, que podem promover o desenvolvimento de infeções fúngicas. Já não trocar de meias, quando estas ficam húmidas ou molhadas, quer seja pelo excesso de transpiração ou devido aos dias de chuva, cria também um ambiente propício ao surgimento de micoses e irá provocar desconforto pela exposição da pele ao frio e à humidade, aumentando a sensação de arrefecimento e o risco de frieiras. Paralelamente, de modo a prevenir o desenvolvimento de fungos e o crescimento de bactérias responsáveis por maus odores, deve evitar-se usar o mesmo par de sapatos dois dias consecutivos.

Relativamente às unhas dos pés, fazer um corte arredondado dos cantos, não ajuda a que a unha cresça para além da pele nas margens do dedo, o que pode levar à onicocriptose (vulgarmente reconhecida como “unha encravada”).

Não consultar um especialista para avaliar o pé em caso de alterações visíveis ou dor é uma opção que pode levar ao agravamento de problemas podológicos e ao desenvolvimento de complicações.

Artigo de opinião de Francisco Oliveira Freitas, podologista responsável pelo Centro de Podologia de Famalicão

Úlcera do pé diabético: uma complicação da diabetes que deve ser prevenida

De acordo com os números da 10ª edição do Atlas da Diabetes da Federação Internacional da Diabetes, que será brevemente publicada, destaca-se um crescimento alarmante da prevalência global da diabetes, pelo que é imperativo divulgar estratégias para a prevenção da doença, que constitui um desafio para a saúde e bem-estar da sociedade. Contudo, é também crucial falar sobre a diabetes em si, cujo crescimento nos últimos dois anos foi de 16 por cento (o que representa mais de 74 milhões de casos), de forma a capacitar as pessoas com este diagnóstico, para que ajam no sentido de prevenir eventuais complicações.

Produzida pelo pâncreas, a insulina é uma hormona que atua no sentido de permitir que a glicose passe da corrente sanguínea para as células do corpo, sendo assim necessária para que o organismo possa utilizar a glicose no processo de produção de energia. Falamos em diabetes mellitus quando o pâncreas deixa de poder produzir insulina ou quando não a fabrica em quantidades suficientes, ou ainda quando o corpo não consegue fazer um uso adequado da insulina que produz, verificando-se a chamada resistência à insulina. Como resultado, esta doença metabólica crónica caracteriza-se pela subida anormal e não controlada dos níveis de glicemia (quantidade de glicose no sangue).

Podendo estar associada a diversas complicações clínicas passíveis de afetar a saúde e a qualidade de vida das pessoas com diabetes, a hiperglicemia (aumento excessivo dos níveis de glicemia), com o passar do tempo, pode provocar danos em vários tecidos do corpo e afetar os vasos sanguíneos e os nervos, bem como diferentes órgãos. Paralelamente, estes pacientes apresentam também um maior risco de desenvolver infeções.

A úlcera do pé diabético é uma complicação frequente e séria associada a esta doença crónica, estando vários mecanismos relacionados com o seu aparecimento, tais como a neuropatia diabética, a doença vascular periférica e as alterações biomecânicas.

As neuropatias são caracterizadas pela perda progressiva de fibras nervosas, sendo a neuropatia diabética uma das possíveis complicações da diabetes, com o aumento da glicose no sangue a ser descrito como uma das causas mais relevantes. As extremidades do corpo estão assim entre as áreas mais afetadas e, em particular, podem surgir alterações nos pés. No que diz respeito às alterações na parte sensitiva, a perda da sensibilidade merece particular atenção, dado que a perda da sensibilidade protetora plantar pode fazer com que as lesões não sejam percecionadas, acompanhadas e tratadas, o que pode ocasionar infeções e levar às amputações. Além disso, a pessoa pode deixar de sentir estímulos de temperatura. Face às lesões nos nervos e à sensação afetada, existe a possibilidade de se verificarem alterações na marcha e na forma como o indivíduo distribui o seu peso corporal, levando a uma maior concentração da pressão em determinadas áreas do pé, o que favorece o surgimento de calosidades.

Já a doença arterial periférica resulta na perturbação da circulação sanguínea em uma ou mais extremidades, existindo uma limitação no fornecimento de oxigénio e nutrientes, face à componente obstrutiva da doença. A aterosclerose é o principal componente responsável por esta condição, que constitui um dos principais fatores que contribuem para a lesão no pé diabético e que compromete a cicatrização das úlceras, podendo mesmo levar à morte dos tecidos.

Para a prevenção de possíveis problemas de saúde associados à diabetes mellitus, controlar os níveis de glicose no sangue é a chave, o que implica que os pacientes sigam o tratamento definido pela equipa de profissionais de saúde que os acompanham e que se mantenham vigilantes. A adoção de um estilo de vida saudável, assente numa alimentação adequada e na prática de exercício físico, tendo em conta as recomendações médicas, é também muito importante.

Simultaneamente, as pessoas com diabetes devem ter cuidados acrescidos com os seus pés, procurando erradicar os fatores de riscos das úlceras, como os traumas a que os pés podem estar sujeitos. Assim, para proteger os pés de lesões, evitar andar descalço e os saltos altos, preferir um calçado fechado, que se ajuste corretamente ao pé e que ofereça um suporte adequado, com um bom amortecimento e uma biqueira larga, optar por meias sem elásticos ou costuras, aliar uma higiene e hidratação diárias, não utilizar fontes de calor para aquecer os pés e cuidar bem das unhas, limando-as a direito com limas de cartão, são bons princípios. Observar minuciosamente os pés, ao final do dia, procurando modificações na pele e unhas, bem como consultar regularmente um podologista são também cuidados fundamentais.

O podologista, enquanto profissional habilitado na prevenção, diagnóstico e tratamento das patologias do membro inferior, procurará evitar a ulceração, identificando o risco para a úlcera diabética, que é também influenciado pela idade do utente, pela duração da diabetes e pela presença de úlcera e/ou amputação anterior. Já o tratamento terá em conta as características da lesão e se existe ou não infeção, de forma a evitar complicações mais graves.

Artigo de opinião de Francisco Oliveira Freitas, podologista responsável pelo Centro de Podologia de Famalicão

Saiba como vencer as micoses nas unhas dos pés

Localizadas nas extremidades dos dedos, as unhas protegem as pontas dos dedos dos pés e das mãos de agressões externas e permitem uma maior sensibilidade tátil. Porém, o processo de envelhecimento natural, a possível ocorrência de lesões e eventuais patologias e infeções podem colocar em causa o seu aspeto saudável, caracterizado por uma cor uniforme e rosada, bem como a sua dureza e resistência. Por isso, é importante vigiar alterações nas unhas, ao nível do seu formato, coloração e textura, e apurar, o mais cedo possível, se estas mudanças são consequências naturais, próprias do avançar da idade, ou sinais de algum problema de saúde.

As micoses estão entre as causas que podem levar a modificações nas unhas dos pés, podendo comprometer a sua saúde e aparência. Responsável por mais de metade das patologias que afetam as unhas e mais frequente nas unhas dos pés, a onicomicose (micose das unhas) é uma infeção provocada por microrganismos designados por fungos, que originam a doença quando encontram condições de humidade e temperatura favoráveis ao seu desenvolvimento e reprodução, assim como uma debilidade no hospedeiro, sendo, na maioria dos casos, causada por fungos dermatófitos.

Mais comum em pessoas com mais de 55 anos e no verão, pois passamos nesta época mais tempo na praia e na piscina (sítios propícios à proliferação de fungos) e porque se verifica também um aumento da transpiração nos pés (causado pelas altas temperaturas), a onicomicose é mais rara nas crianças. Embora, numa fase inicial, se revele silenciosa e não provoque dor, não devemos desvalorizá-la, dado que a onicomicose é uma infeção de elevado grau de contágio, transmitindo-se de pessoa para pessoa ou através do contacto indireto com objetos pessoais ou com superfícies contaminadas. Pelo que um caso de onicomicose pode estender-se a toda a família.

Coloração diferente, geralmente amarelada, perda de brilho, unhas deformadas, espessas, frágeis, quebradiças ou a “esfarelar”, resíduos presos debaixo da unha e descolamento do leito ungueal são alguns dos sintomas, que apresentam variações tendo em conta o tipo de fungo e a gravidade da infeção. As micoses nas unhas podem funcionar ainda como uma porta de entrada a agentes patogénicos causadores de infeções graves e, numa fase mais avançada, podem causar desconforto e dor.

Por forma a prevenir o contágio, é importante evitar andar descalço em ambientes húmidos, sendo recomendado o uso de chinelos em piscinas, saunas e balneários. Por outro lado, deve usar, sempre que possível, calçado arejado e que permita a ventilação do pé, bem como trocar de meias diariamente e sempre que estas estiverem húmidas. Preferir meias de fibras naturais (preferencialmente de algodão) e evitar utilizar calçado apertado são também bons princípios.

Deve ainda assegurar uma higiene cuidada dos pés, mantendo-os limpos e secos, especialmente entre os dedos. Relativamente ao corte das unhas, este deve ser feito em linha reta, sem cortar as cutículas e considerando que o comprimento das unhas não deve ultrapassar a ponta dos dedos. Em caso de excesso de transpiração é aconselhável aplicar um antitranspirante específico para os pés. Não é recomendável partilhar meias nem calçado.

No que diz respeito aos produtos de beleza e estética é preciso ter uma atenção especial, visto que o verniz pode levar à acumulação de humidade e o uso da acetona a unhas mais fracas e quebradiças. Por isso, evite utilizar verniz por mais de 15 dias, de forma a deixar as unhas respirar e de modo a não “camuflar” eventuais problemas. Nas idas ao salão de beleza, assegure-se de que todos os cuidados de higiene são cumpridos.

A onicomicose tem tratamento, sendo este, porém, um processo moroso, uma vez que um dos objetivos da terapêutica é alcançar uma completa renovação da unha, desde a raiz até à ponta, o que poderá demorar cerca de um ano. Os restantes objetivos passam por erradicar o patógeno causal e impedir a reinfeção.

O acompanhamento por parte de um podologista é crucial, de modo a instituir um tratamento adequado o mais precocemente possível, já que este terá em consideração a origem da infeção, o tipo de fungo, a gravidade do problema e a aparência da unha. As opções de tratamento incluem antifúngicos tópicos, medicamentos de toma oral e laserterapia (tratamento a laser).

Artigo de opinião de Francisco Oliveira Freitas, podologista responsável pelo Centro de Podologia de Famalicão

Pés saudáveis no verão: o primeiro passo para umas férias perfeitas

Dia após dia, os pés suportam o peso do nosso corpo e, por serem o nosso ponto de contacto com o solo, são os principais recetores de impactos, estando submetidos a uma grande tensão e desgaste. Fundamentais para a execução de diversas tarefas, em contexto desportivo e profissional, os pés estão assim vulneráveis à ocorrência de lesões e alterações.

Se várias são as profissões que implicam que os colaboradores estejam sentados à secretária durante as várias horas do dia, podendo o sedentarismo traduzir-se em impactos significativos na mobilidade da pessoa e na saúde dos seus pés, várias são as atividades profissionais que envolvem ficar em pé ou caminhar em superfícies duras por longos períodos. O que está, por exemplo, associado a um maior risco de fasceíte plantar, uma condição dolorosa que se deve à inflamação da fáscia plantar, uma banda de tecido fibroso que liga o calcanhar aos dedos. Por vezes, o trabalho poderá ainda exigir o uso de sapatos de salto alto, que conduzem a um aumento da pressão na parte da frente do pé, ou o uso de calçado apertado ou bicudo que, além das dores, pode potenciar o aparecimento de bolhas, calosidades, unhas encravadas, joanetes e deformações nos dedos.

Contudo, apesar das férias significarem possivelmente dias de descanso, o verão não significa que esteja imune ao surgimento de problemas podológicos. Pelo contrário, com uma maior exposição dos pés, o aumento das temperaturas e a alteração das nossas rotinas, os riscos aumentam e os cuidados a ter com os nossos pés também.

Sendo esta a época do ano mais propícia ao surgimento de micoses, face ao risco de concentração de transpiração no calçado e à tendência de passarmos os dias nas praias e piscinas, sítios que facilitam a proliferação de fungos, é crucial evitar o seu contágio através do contacto direto com a pele infetada ou com superfícies ou objetos contaminados, tendo o cuidado de utilizar chinelos nas zonas de banho e de não partilhar objetos de higiene ou de cuidado pessoal, como toalhas, corta-unhas, meias e calçado. Por outro lado, é preciso contrariar o desenvolvimento de condições favoráveis à sua proliferação, privilegiando um calçado arejado e que permita a ventilação do pé, como sandálias, de preferência, em pele.

Manter uma higiene cuidada, que inclui lavar os pés diariamente com água morna e um sabão de pH neutro, bem como secá-los com uma toalha macia, sem esquecer os espaços entre os dedos, trocar de meias, sempre que estas estiverem húmidas, para prevenir a concentração de humidade e o desenvolvimento de fungos e bactérias, recorrer a antitranspirantes e antissépticos e ainda colocar o calçado a arejar, num local ventilado, são medidas essenciais.

Na sequência de uma barreira lipídica comprometida, que não é capaz de reter água suficiente, a pele seca manifesta-se como áspera, irritada e sem flexibilidade. Os pés estão entre as partes do corpo mais frequentemente afetadas, existindo fatores instigadores, tais como mudanças sazonais, ar seco e contacto prolongado com a água, na sequência de banhos prolongados no mar, rio e piscina, que removem os óleos naturais que compõem a barreira da pele. Adicionalmente, a vulnerabilidade da pele seca pode representar riscos para a saúde, uma vez que esta torna-se frágil e perde elasticidade, podendo levar ao aparecimento de fissuras, especialmente em torno do calcanhar, que, em casos mais graves, podem causar dor e inflamação e que funcionam como uma porta de entrada para agentes patogénicos. Neste sentido, prevenir as queimaduras solares, tomar um duche com água doce, depois de um mergulho, e aplicar diariamente um creme ou loção hidratante é fundamental.

Os pés são também sensíveis à excessiva exposição solar, muito pelo facto de estarem “escondidos” a maior parte do ano pelo uso de calçado fechado. Assim, para evitar queimaduras solares, é necessário evitar a exposição ao sol nas horas de maior calor e aplicar protetor solar, com fator elevado de proteção, nos pés.

Alguns hábitos de verão podem também ser prejudiciais, tais como: a utilização regular/diária de chinelos de dedo, que pode potenciar a inflamação da fáscia plantar e o surgimento de problemas nos joelhos, ancas ou costas; utilizar verniz nas unhas dos pés por mais de 15 dias; e o uso de sapatos sem meias, dado que estas protegem os pés das bolhas e da fricção do pé contra o sapato e contribuem para o controlo da humidade.

Não comprometa as suas férias! Siga estes cuidados e vigie diariamente os seus pés e unhas. Além do aparecimento de manchas, vermelhidão, prurido (comichão) e mau odor, que podem ser sinais de micoses no pé, deve ficar atento ao surgimento de bolhas, descamação, calosidades, fissuras e feridas, bem como observar regularmente a coloração, formato e textura das suas unhas. Lembre-se de que a deteção atempada de alterações, permite um diagnóstico precoce e um acompanhamento adequado, por parte do seu Podologista.

Artigo de opinião de Francisco Oliveira Freitas, podologista responsável pelo Centro de Podologia de Famalicão

 

Conheça o melhor tipo de calçado para miúdos e graúdos

Os pés são os componentes finais dos membros inferiores e, por isso, são responsáveis pela sustentação do corpo, atuando como a nossa base de apoio e de equilíbrio. Além de desempenharem um papel fundamental na nossa postura, funcionam como uma alavanca no processo de locomoção, sendo submetidos a um ciclo sucessivo de carga e descarga.

Ao serem os constituintes do corpo humano que estabelecem diretamente o contacto com o solo, os pés oferecem estabilidade, suportam as agressões do terreno e absorvem os impactos quando caminhamos, corremos ou saltamos. Neste sentido, é fácil de percebermos a importância de protegermos os nossos pés, sendo esta a principal função do calçado.

Com a missão de preservar a integridade dos pés, os sapatos devem oferecer conforto e um bom suporte (com apoio na zona do arco do pé), proteger os pés dos fatores ambientais, evitar a sua exposição a riscos, como objetos pontiagudos e superfícies desconfortáveis, proporcionar uma boa tração, ajudando a prevenir as quedas, e amortecer os impactos dos pés com o solo.

Contrariamente a isso, o calçado pode funcionar como um agente agressor, pois optar por uns sapatos com as características erradas pode prejudicar a saúde e o desempenho do pé. Isto porque a utilização de calçado inadequado contribui para o surgimento de desconforto e dores, bem como para o desenvolvimento de lesões e deformidades nos pés, podendo, consequentemente, surgir problemas nos joelhos, ancas e costas.

Recomendações comuns para todas as idades

Para prevenir problemas podológicos, o sapato deverá ser adaptado à morfologia e tamanho do pé, uma vez que a utilização de calçado apertado, além do surgimento de dores, pode causar bolhas, calosidades, unhas encravadas e joanetes, tal como outros problemas a longo prazo. Particularmente no caso das crianças, dado que os seus pés estão em contínuo desenvolvimento e são frágeis, é de extrema importância que os pais verifiquem regularmente se o calçado se ajusta corretamente ao comprimento e à largura do pé, e que dispõe de espaço suficiente para que a criança possa mexer todos os dedos livremente.

Neste sentido, e tendo em conta que o volume do pé se altera ao longo do dia, saiba que o calçado deve ser comprado ao final da tarde, altura em que os pés estão inchados. Os nossos pés também não permanecem imóveis dentro do calçado, pelo que, para acompanhar o seu deslocamento ao caminhar, deverá existir uma margem de cerca de um centímetro, entre a ponta do calçado e a ponta do dedo grande. Já os sapatos excessivamente largos são um fator de risco para alterações ao nível da musculatura do pé e também causam desconforto, sendo que, devido à combinação entre pressão e fricção, podem levar igualmente ao surgimento de bolhas.

Para evitar as bolhas e calosidades, os materiais flexíveis e maleáveis devem ser a primeira escolha, assim como os materiais respiráveis que, por permitirem a ventilação do pé, deixando o ar circular e contribuindo para a absorção e evaporação da transpiração, ajudam a evitar o surgimento de micoses. Disso é exemplo o calçado em pele.

No respeitante à altura do calçado, esta não deve ultrapassar os quatro centímetros, de modo a evitar o risco acrescido de entorses, joanetes e inflamações, bem como a adoção de uma posição pouco natural do pé e alterações ao nível da postura, o que contribui para as dores nas costas.

Que características deve ter o calçado das crianças?

O pé infantil está em contínuo desenvolvimento musculosquelético e, por isso, a utilização de calçado adequado é fundamental para evitar impactos significativos para a saúde das crianças, que vão desde as reações cutâneas até às alterações estruturais, comprometendo a forma e a funcionalidade do pé. Além da comodidade, existem outros fatores que deve ter em conta:

  • A sola deverá ser resistente e flexível, de modo a permitir a mobilidade do pé, antiderrapante e relativamente fina, sem perder a capacidade de amortecer o impacto dos pés com o solo;
  • O sapato deverá ainda comportar os dedos na sua posição natural;
  • Para uma maior estabilidade do pé, o calçado da criança deverá possuir reforço na zona do calcanhar e os atacadores devem estar sempre bem apertados;
  • Os sapatos devem ficar abaixo dos tornozelos;
  • O calçado deve possuir apoio lateral.

Artigo de opinião de Francisco Oliveira Freitas, podologista responsável pelo Centro de Podologia de Famalicão (pode ver aqui o exemplo: https://www.postura.pt/conheca-os-cuidados-diarios-que-deve-ter-com-os-pes-mesmo-em-tempos-de-pandemia/ )

Conheça os cuidados diários que deve ter com os pés mesmo em tempos de pandemia

Neste período de pandemia, em que ‘prevenir’ é a palavra de ordem, é crucial relembrar a importância de prevenir também o surgimento de problemas nos pés, que são o alicerce da nossa postura, sustentando o corpo e permitindo a marcha.

Os pés são submetidos, dia após dia, a uma grande tensão e desgaste. Além disso, a possível ocorrência de traumatismos, a utilização de calçado inadequado, a adoção de posturas incorretas, os fatores ambientais e a ausência de cuidados, que podem tornar os pés vulneráveis à ação de bactérias, vírus ou fungos, contribuem para o surgimento de lesões e problemas podológicos.

Por passarem a maior parte do tempo escondidos pelo calçado, os pés são frequentemente esquecidos. No entanto, vigiá-los diariamente é o primeiro passo para a deteção de alterações, permitindo um diagnóstico precoce e um acompanhamento adequado, de modo a prevenir o agravamento de complicações resultantes, por exemplo, de feridas ou bolhas. Além de estar alerta para possíveis alterações da pele, que podem ser sinais de micose no pé, no respeitante às unhas, deverá estar atento a irregularidades relativas ao seu formato, textura e coloração.

Para proteger a integridade da pele e preservar a saúde dos pés, que estão muitas vezes sujeitos a condições de calor e humidade, que favorecem o desenvolvimento de fungos responsáveis por infeções, recomenda-se uma lavagem diária dos pés. Neste sentido, lembre-se de que uma correta higiene inclui: lavar os pés com água morna e um sabão de pH neutro; secá-los com uma toalha macia, sem esquecer os espaços entre os dedos; e a aplicação de um creme/loção hidratante, o que contribui para manter a pele dos pés suave e hidratada, protegendo-os dos agressores externos e ajudando a prevenir as calosidades.

Isto porque, ao contrário de outras áreas do corpo, através das quais o suor pode evaporar facilmente, o uso de sapatos e meias pode levar à concentração de humidade. Assim, e de modo a prevenir o desenvolvimento de fungos e o crescimento de bactérias responsáveis por maus odores, nomeadamente com a chegada da primavera, além de trocar de meias diariamente, deverá também alternar o seu calçado, evitando o seu uso contínuo. Aconselha-se que coloque os sapatos a arejar e que aguarde, pelo menos 24 horas, antes de calçar os mesmos sapatos novamente. Escolha também um calçado que permita a ventilação do pé, de preferência em pele, e meias de fibras naturais, preferivelmente de algodão.

Caminhar descalço tem as suas vantagens ao nível da circulação sanguínea, induzindo um estado de relaxamento perante os esforços a que os pés estão sujeitos no dia a dia. Contudo, mesmo em casa, deve evitar passar longos períodos sem calçado, uma vez que este tem como principal missão proteger os nossos pés, fornecendo-lhes estabilidade, com a capacidade de amortecer o impacto dos pés com o solo. Ao andar descalço está a deixar os seus pés expostos a perigos e também a impurezas, fazendo com que a pele perca a sua humidade e com que fique ressequida, o que pode levar ao surgimento de fissuras.

No respeitante ao calçado, não se esqueça de que este deve ter entre três a quatro centímetros de sola e não mais, uma vez que quanto maior for a altura dos sapatos, menor a superfície de apoio do pé. Já os saltos completamente rasos, como chinelos e sabrinas, são também uma opção a evitar, pois a sua sola é demasiado fraca para amortecer o impacto do pé nas superfícies duras. Além disso, não oferecem um bom suporte ao arco do pé, pelo que a sua utilização regular está associada ao desenvolvimento de fasceíte plantar. Os chinelos abertos deixam também o pé exposto, aumentando o risco de lesões.

Complementarmente, não deixe as unhas dos pés demasiado longas ou curtas. Tenha antes em conta a linha dos dedos como medida. Não faça um corte arredondado nos cantos, de modo a permitir que a unha cresça para além da pele nas margens, e lave primeiramente as mãos.

A Podologia é uma especialidade do ramo da saúde que tem como objetivo estudar, prevenir, diagnosticar e tratar todo o tipo de patologias que incidem a nível do pé, bem como todas as repercussões que atingem o sistema locomotor.

Artigo de opinião de Francisco Oliveira Freitas, podologista responsável pelo Centro de Podologia de Famalicão

Esporão do calcanhar: conheça os fatores de risco

O esporão do calcanhar é uma das mais de 300 condições patológicas que podem afetar os nossos pés e consiste numa protuberância óssea que se forma no osso do calcanhar, o calcâneo. Esta patologia é mais comum no sexo feminino, muito em virtude de uma má escolha do calçado, e em pessoas com excesso de peso, sobretudo acima dos 40 anos, devido ao desgaste natural.

Consequência de um processo fisiológico causado pela calcificação dos tecidos, este problema tem origem numa inflamação resultante de uma elevada e repetida pressão na planta do pé. Normalmente, o esporão do calcanhar manifesta-se por uma dor intensa nesta zona, semelhante a uma picada, uma vez que a este se associa a inflamação da fáscia plantar (fasceíte plantar), uma banda de tecido fibroso que liga o calcanhar aos dedos, que tipicamente se faz sentir quando nos levantamos da cama pela manhã e damos os primeiros passos.

Ainda que, muitas vezes, as inflamações que levam à formação desta pequena projeção de osso provoquem dor aguda, principalmente ao caminhar, correr ou saltar, cerca de 27% da população portuguesa sofre deste problema de forma assintomática.

Entre os fatores de risco que propiciam o desenvolvimento do esporão do calcanhar e da fasceíte plantar incluem-se a idade (faixa etária acima dos 40 anos), a obesidade, a utilização de calçado inapropriado, a presença de pé plano ou pé cavo, bem como a prática de atividades desportivas que implicam tensão sobre o calcanhar, como a corrida.

O diagnóstico do esporão do calcanhar é realizado com recurso a uma radiografia ou a uma ressonância magnética, sendo também importante fazer uma avaliação morfológica do pé, realizada por um Podologista, para um tratamento adequado e atempado. Este pode passar pelo uso de palmilhas personalizadas, fisioterapia e anti-inflamatórios, com o objetivo de reduzir a dor. Quando estes métodos não se revelam eficazes, a cirurgia é o tratamento que permite eliminar definitivamente a saliência óssea.

Para evitar o surgimento desta patologia é recomendável a realização de um correto aquecimento, antes da prática de exercício físico, contudo, a carga de atividade física deve também ser controlada. Além disso, é importante escolher o calçado adequado ao tipo de pé e apoio plantar, bem como à atividade do utilizador, sendo que os sapatos de salto alto e bicudos à frente devem ser evitados. O controlo do peso é também fundamental, de modo a que não se verifique uma sobrecarga dos membros inferiores, o que agrava a dor e a inflamação.

Cuide dos seus pés, tenha atenção à escolha do calçado e, em caso de suspeitar deste problema, consulte um Podologista. Assegure a sua qualidade de vida.

Artigo de opinião de Francisco Oliveira Freitas, podologista responsável pelo Centro de Podologia de Famalicão

Calosidades podem ser prevenidas

As calosidades, comummente denominadas por calos, constituem uma camada espessa de células mortas, que se forma no seguimento da contínua pressão exercida pela utilização de meias ou calçado inadequados, assim como pelo excessivo esforço físico a que o pé pode ser submetido. Existem fundamentalmente dois tipos de calos: os calos moles, que se desenvolvem entre os dedos, e os calos duros, que surgem nas extremidades dos dedos.

As principais causas para o aparecimento de calosidades são o uso de calçado inadequado e mal ajustado ao pé; a atividade profissional ou desportiva que implique fricção e pressão constante; as deformações ósseas e estruturais dos dedos (como por exemplo, os dedos em garra) ou alterações na forma como cada pessoa caminha.

Para evitar o aparecimento de calosidades é recomendável o uso de calçado adaptado à morfologia e tamanho do pé, uma vez que o uso de sapatos demasiado apertados poderá causar, a curto prazo, o aparecimento de calosidades, bem como problemas mais graves a longo prazo. Além disso, é importante diminuir ou eliminar a pressão excessiva que está na origem das calosidades. A hidratação em zonas mais propicias a calosidades, como os calcanhares, ajuda a manter a elasticidade dos tecidos, e por isso, pode contribuir também para a sua prevenção.

A avaliação morfológica do pé, realizada na consulta de Podologia, é um importante método de diagnóstico das possíveis origens das calosidades, ajudando assim, à indicação do tratamento mais adequado.  O podologista poderá ainda recomendar formas de alívio da dor, proceder à eliminação das calosidades e aconselhar sobre a melhor forma de prevenir o seu reaparecimento, nomeadamente através da escolha do calçado mais adequado ao pé, e, em situações concretas, fazer de forma personalizada palmilhas compensatórias.

Artigo de opinião de Francisco Oliveira Freitas, podologista responsável pelo Centro de Podologia de Famalicão

463 milhões de adultos vivem com diabetes

A Diabetes consiste em alterações da quantidade de açúcar no sangue, sendo que é diagnosticada em mais de 40% da população portuguesa. O pé diabético está associado à presença de Diabetes e é uma das principais causas de amputação do pé, contudo, esta doença é muitas vezes negligenciada. Existem cuidados essenciais a ter de modo a evitar este problema e diminuir o seu impacto.

Segundo a Federação Internacional da Diabetes (International Diabetes Federation), até 2019 cerca de 463 milhões de adultos viviam com a diabetes, sendo que mais de 1,1 milhão de crianças e adolescentes viviam com a diabetes tipo 1.

É importante consciencializar a população para o diagnóstico prévio e que tenham em atenção as principais causas deste problema. Estas estão, por vezes, na má circulação sanguínea, no tempo demasiado longo em camas hospitalares e, principalmente, nas alterações da ramificação nervosa. É frequente que as pessoas com pé diabético sintam a pele a secar, o surgimento de feridas, queimaduras e bolhas que podem dar origem a infeções.

No sentido de evitar e prevenir este flagelo é essencial que as pessoas sejam acompanhadas por uma equipa multidisciplinar e especializada, que se complementa com os vários setores da área da saúde; tenham um estilo de vida saudável, apostando numa boa alimentação; uma higiene cuidada dos pés; pratiquem atividade física de forma regular e adotem posições favoráveis à estimulação da circulação sanguínea. Por outro lado, devem evitar fumar e estar em posições como pernas cruzadas.

Também a escolha de um calçado adequado e adaptado às necessidades de indivíduos com pé diabético é extremamente importante. Estes devem optar por um calçado confortável no seu todo, que se ajuste corretamente ao pé, de modo a não ser muito largo ou apertado. Não obstante, não é recomendável a utilização de sapatos com costuras no seu interior, bem como de meias apertadas.

A Federação Internacional da Diabetes estima que em todo o mundo existam 463 milhões de pessoas com diabetes, número que pode atingir os 700 milhões em 2045 (International Diabetes Federation [IDF], 2019).

 

Artigo de opinião de Francisco Oliveira Freitas, podologista responsável pelo Centro de Podologia de Famalicão

Calçado inadequado pode provocar problemas de saúde nos idosos

Nos idosos, o calçado deve adequar-se corretamente à morfologia e ao tamanho dos pés e ao tipo de atividade que se pretende realizar. A sua função não é de todo estética e por isso a escolha deve recair por um calçado que ajude a manter a estabilidade; a proteger o pé e o tornozelo do agravamento de certas doenças, como úlceras no pé – lesões ou feridas ligadas a um dano da pele, unha ou tecidos profundos; e a prevenir quedas e acidentes domésticos.

Recomenda-se a utilização de calçado que permita também a respiração do pé e a utilização de meias de algodão, pois este tipo de calçado ajuda a precaver, por exemplo, micoses – fungos que se desenvolvem e causam infeções na pele e nas unhas. O calçado deve ainda estar bem ajustado e de acordo com o peso corporal, de forma a não causar fricção, provocar desconforto ou gerar um mau apoio dos pés.

Já a adoção de um calçado antiderrapante e com uma sola robusta é indispensável para os idosos, pois faz toda a diferença na prevenção de quedas e acidentes domésticos, e por isso mesmo estes cuidados não devem ser negligenciados. Deve evitar-se calçado de tacão alto e não deve utilizar calçado com a sola desgastada.

Além disso, o calçado deve ser escolhido para dar mais conforto e deve ser ajustado tendo em conta as condições físicas, o tipo de atividade que desenvolve, e se possível o tipo de pele.

É fundamental ir com regularidade a um podologista para realizar um rastreio e possível diagnóstico, pois existem doenças que se não forem detetadas e tratadas a tempo podem ter efeitos nefastos na mobilidade dos idosos, na sua postura e consequentemente na sua qualidade de vida.

Cuide de si e dos seus pés, tenha atenção à escolha do seu calçado para assegurar uma boa qualidade de vida.

Artigo de opinião de Francisco Oliveira Freitas, podologista responsável pelo Centro de Podologia de Famalicão