Regresso aos treinos: cuidados a ter para prevenir as lesões desportivas

A possível redução dos níveis de atividade física, como resultado do período de confinamento, em consequência da pandemia, tem sido apontada como uma das principais preocupações, pelos riscos que representa para a saúde e bem-estar das pessoas.

Sabemos que a prática regular de exercício físico é um dos pilares para um estilo de vida saudável, contribuindo, por exemplo, para a redução do risco de doenças cardiovasculares e para o fortalecimento dos ossos e músculos. Já as consequências do sedentarismo incluem a obesidade, sendo ambos fatores impulsionadores do aparecimento de doenças nos pés, e de atrofia muscular, o que pode traduzir-se em prejuízos para a mobilidade das pessoas.

Contudo, além das precauções que os novos tempos exigem, pelo risco de contágio, no regresso aos treinos, é preciso que os cuidados para prevenir as lesões desportivas não sejam deixados para trás.

Considerada uma das lesões musculoesqueléticas mais comuns na população ativa e frequente no universo desportivo, a entorse do tornozelo ocorre na sequência de uma rotação extrema do membro inferior, quando um ligamento é forçado além da sua normal capacidade. No respeitante a esta lesão, os desportos com movimentos de impulsão e corrida, os antecedentes de entorses, a fadiga muscular e ligamentar, o uso de calçado instável e com sola desgastada, bem como a realização de atividade física em piso irregular estão entre os principais fatores de risco.

Ainda assim as duas causas principais de lesões desportivas são a prática de exercício físico sem o aquecimento inicial e sem os alongamentos finais.

Embora as entorses do tornozelo e outras lesões possam ser resultantes de erros técnicos ou esforço excessivo, os exercícios de aquecimento são muito importantes na sua prevenção, não apenas no que respeita aos pés, mas também aos músculos de todo o corpo, dado que estimulam a sua flexibilidade, contribuem para evitar possíveis estiramentos e roturas musculares e preparam ainda a mente para a prática do exercício físico.

O aquecimento deve dividir-se em duas etapas: o aquecimento geral, cujo principal objetivo é aumentar a temperatura do corpo, preparando o sistema circulatório e respiratório; e o aquecimento específico, que trabalha partes singulares do corpo e movimentos específicos.

Também os alongamentos são essenciais para acelerar a recuperação, de forma a promover a circulação sanguínea e a aliviar a tensão acumulada nos músculos. Estes exercícios podem e devem ser feitos também aquando do aquecimento.

Se com o desconfinamento está a retomar a sua rotina desportiva, e porque uma pessoa destreinada corre maior risco de se lesionar, inicialmente não deve exagerar no tempo, distância e intensidade dos treinos.

Para que seja saudável, a prática de exercício físico deve ser também adequada às necessidades de cada um, tendo em conta a idade, o género e possíveis patologias.

Cuidados a ter durante a prática de exercício físico:

  • Faça um aquecimento antes de iniciar a sessão, com duração entre 5 a 10 minutos, e com exercícios que estimulem a circulação sanguínea e preparem os músculos para o esforço;
  • No final de cada sessão, reserve cerca de 10 minutos para abrandar o ritmo cardíaco e para alongar os músculos (pode também completar com massagens nos pés);
  • O descanso é fundamental, por isso, no caso de realizar treinos intensos, faça pausas de 48 horas para recuperação muscular. Se a intensidade do exercício que pratica é baixa a moderada, pode fazê-lo em dias consecutivos;
  • Utilize calçado adequado a cada desporto. Enquanto que o calçado de corrida deve ter um bom amortecimento e ser leve e maleável, para praticar pilates deve usar sapatilhas antiderrapantes com proteção flexível. Já para desportos com grande intensidade, o pé deve estar bastante estável;
  • O calçado deve adequar-se corretamente aos pés, de modo a não causar fricção e deve oferecer proteção ao tornozelo;
  • Lembre-se que um par de sapatilhas dura 150 a 200 horas ou 500 a 600 km de treino;
  • Use roupa adequada à modalidade que pratica e, no verão, opte por um vestuário leve e com cores claras;
  • Calce meias de algodão;
  • Mantenha-se hidratado, sobretudo nestes dias quentes;
  • Preste atenção aos sinais de alarme e, se necessário, fale com um profissional de saúde.

Artigo de opinião de Francisco Oliveira Freitas, podologista responsável pelo Centro de Podologia de Famalicão

Cuidados a ter com a postura em situação de teletrabalho

Face à situação epidemiológica em Portugal, provocada pelo novo coronavírus, muitos portugueses estão atualmente em situação de teletrabalho. Contudo, trabalhar na segurança do seu lar pode ser um desafio para as suas costas, devido ao aumento da pressão sobre a coluna vertebral, causada pelas várias horas ininterruptas sentado ao computador.

Quem está em casa, em teletrabalho, não deve descurar os cuidados com a sua coluna, tendo especial atenção à postura que adota quando está sentado à secretária, assim como aos comportamentos sedentários, muito prejudiciais para as costas.

Por ser uma das principais causas associadas ao surgimento de dores nas costas e por acarretar problemas dos pés à cabeça, o sedentarismo é o primeiro aspeto a combater. Estar em isolamento social pode significar uma redução mais ou menos significativa em termos de atividade física, no entanto, mesmo em casa, é fundamental não esquecer os exercícios de fortalecimento muscular, ao nível dos músculos das costas, mas também da região abdominal e dos membros inferiores, de forma a prevenir e a reduzir a dor.

Permanecer na mesma posição por longos períodos representa também um dos perigos para a coluna vertebral, dado que durante as várias horas em que estamos sentados a trabalhar, se verifica uma sobrecarga dos músculos e discos intervertebrais. Sendo, por isso, fundamental fazer intervalos regulares, de maneira a mudar de posição.

Já a adoção de posturas incorretas está na origem de grande parte dos problemas de saúde. Além da típica dor nas costas, a postura extremamente prejudicial que a maioria das pessoas assume pode provocar também dores nos pés, dificuldades na recuperação pós-treino, fadiga, tensão arterial alta, obstipação, bem como consequências a nível psicológico, gerando desmotivação, mau humor ou problemas de sono. O que pode pôr em causa a sua produtividade no trabalho.

Que cuidados devo ter em teletrabalho?

Em casa, pode sentir-se mais descontraído, contudo, é importante que trabalhe nas mesmas condições em que trabalharia se estivesse no escritório e que redobre os cuidados com a sua postura.

Primeiramente, é fundamental que organize o seu espaço de trabalho e que opte por uma superfície estável, como uma secretária ou uma mesa. Além disso, é indispensável uma boa cadeira, de forma a prevenir a fadiga e desconforto, proporcionando uma postura corporal saudável. Neste sentido, lembre-se que uma cadeira demasiado alta vai levar a que adote uma má postura, por isso, escolha uma com assento regulável, de modo a que a sua altura seja facilmente ajustável. O assento deve ser macio e almofadado, já a base da cadeira deve também ter rodas, para que se consiga deslocar com as costas direitas, e ser grande o suficiente para promover estabilidade, enquanto que a parte traseira da cadeira deve servir de apoio tanto à parte inferior como à parte superior das costas.

Faça pequenos ajustes à sua posição, que podem fazer a diferença na sua saúde. Siga as seguintes recomendações:

  • Mantenha o monitor do computador ao nível dos seus olhos, utilizando um suporte, livros ou até resmas de papel;
  • Use uma almofada se a cadeira não tiver curvatura lombar;
  • Ajuste a altura da cadeira de modo a que, quando sentado, fique com os seus pés totalmente apoiados no chão e os joelhos ao mesmo nível da bacia;
  • Não se incline para a frente nem para trás enquanto sentado, mantenha o alinhamento correto do tronco e as costas apoiadas no encosto da cadeira;
  • Não trabalhe no sofá, visto que, pouco tempo depois, vai dar consigo completamente “mergulhado” ou quase deitado;
  • Não cruze as pernas e mantenha os pés apoiados no chão;
  • Mantenha o teclado do computador perto de si, a uma distância entre 10 a 15 cm;
  • Opte por uma almofada de rato com o apoio para o pulso;
  • Levante-se regularmente e caminhe um pouco pela casa, de modo a alongar os músculos e as articulações.

No Centro de Podologia de Famalicão existem serviços dedicados exclusivamente à postura, fundamentais para melhorar o bem-estar, físico e psicológico da população.

Artigo de opinião de Francisco Oliveira Freitas, podologista responsável pelo Centro de Podologia de Famalicão

10 cuidados a ter para proteger os pés do frio

Apesar de serem a nossa plataforma de movimento e o suporte do nosso organismo, os pés são ainda assim frequentemente negligenciados, sobretudo no inverno, uma vez que passam a maior parte do tempo escondidos pelo calçado. Contudo, uma vez que as baixas temperaturas e o uso regular de sapatos fechados podem favorecer o aparecimento de alguns problemas podológicos, proteger os pés deve ser um cuidado prioritário quando os termómetros baixam.

À semelhança do nariz e das mãos, os pés estão naturalmente mais expostos ao frio e, consequentemente, encontram-se mais vulneráveis. Isto acontece também porque as baixas temperaturas provocam a contração dos vasos sanguíneos, dificultando a circulação até às extremidades do corpo, que pode resultar na sensação de frio nos pés devido a um fluxo sanguíneo lento. Além de pés frios, a pele fica sujeita a alterações, como pele seca (xerose cutânea) e irritada, com tendência a vermelhidão, e frieiras.

As lesões cutâneas são assim um problema relativamente frequente nesta altura do ano, como efeito das agressões por fatores externos, como as baixas temperaturas, a humidade e o vento. No entanto, também os duches demorados e com água muito quente contribuem para a desidratação da pele.

Paralelamente, a utilização de calçado fechado no inverno, com o objetivo de manter os pés quentes, não permite uma correta ventilação, criando o ambiente ideal para o desenvolvimento e proliferação de fungos causadores de micoses, que podem surgir na pele dos pés e unhas, sendo estas denominadas de onicomicoses. A onicocriptose, vulgarmente reconhecida como unha encravada, as calosidades e as bolhas são ainda problemas que podem surgir nesta estação do ano resultantes da má escolha de calçado, como sapatos não adequados à morfologia e tamanho dos pés, bem como aos dedos, dificultando também a circulação sanguínea.

Que cuidados devo ter no inverno para prevenir o desenvolvimento de problemas nos pés?

É essencial que tenha em mente a necessidade de manter os seus pés quentes e secos no inverno, por essa razão, caso as suas meias fiquem molhadas em dias de chuva, troque-as assim que possível.

Apesar desta máxima, as galochas/botas de borracha devem ser usadas apenas esporadicamente, pois embora mantenham os pés protegidos da chuva, por serem impermeáveis, não permitem uma correta ventilação do pé. O plástico de que são feitas irá contribuir assim para a concentração dos níveis de transpiração dentro do calçado, o que mantém os pés frios, provocando mal-estar e aumentando o risco infeções e de unhas encravadas, dado que as unhas se tornam mais moles e, por isso, ficam mais sujeitas a partir-se.

Concluindo, com o frio, os pés passam a andar escondidos, mas isso não significa que pode deixar de cuidar deles. Os seus pés são os que mais sofrem nesta altura do ano e, por isso, existem alguns cuidados a ter:

  • Lave diariamente os pés com água não muito quente;
  • Após o banho, seque bem os pés com uma toalha macia, especialmente os espaços entre os dedos;
  • Utilize diariamente um creme ou loção hidratante, uma vez que esta é uma medida fundamental para prevenir e tratar a xerose cutânea, também comum nos meses frios;
  • Opte por meias de algodão, de modo a prevenir a concentração de transpiração no calçado;
  • Quando chegar a casa, descalce-se e troque de meias;
  • Não aproxime demasiado os seus pés de fontes de calor;
  • Use calçado confortável e adequado ao seu pé, evitando os sapatos apertados, de modo a que circulação sanguínea não seja condicionada;
  • Faça exercício físico, para estimular a circulação sanguínea;
  • Alterne o seu calçado, permitindo que este seque e areje, dado que a humidade mantém os pés frios;
  • Visite regularmente um podologista.

E não se esqueça: examinar os pés diariamente é o primeiro passo para a deteção de possíveis alterações na pele e unhas, permitindo um diagnóstico precoce e um acompanhamento adequado, de modo a prevenir o agravamento de possíveis complicações resultantes de feridas, bolhas ou calos.

Artigo de opinião de Francisco Oliveira Freitas, podologista responsável pelo Centro de Podologia de Famalicão

Usar calçado adequado ao trabalho previne o risco de lesões nos pés

Há quem trabalhe muitas horas de pé, enquanto outros trabalham maioritariamente sentados, mas em ambos os casos, são os pés que suportam o nosso peso e os esforços a que estamos sujeitos no dia a dia, ajudando ao equilíbrio do corpo e permitindo a deslocação. Submetidos a uma grande tensão e desgaste, os pés são ainda assim frequentemente negligenciados.

Dado que estes são o alicerce da nossa postura e a nossa plataforma de movimento, os cuidados a ter com os pés devem ser prioritários. Quer devido ao aumento da pressão, a alterações dos ossos, articulações ou ligamentos, ao stress físico e a possíveis traumatismos, como também à ação de bactérias, vírus ou fungos, entre outras causas, são muitas as patologias que podem afetar os pés.

Contudo, o uso de calçado inapropriado surge como uma das principais razões para o aparecimento de problemas podológicos, podendo levar ao desenvolvimento de lesões e deformidades nos pés. Assim, se pensarmos que, em Portugal, se trabalha em média 45 horas por semana, podemos facilmente perceber a importância de escolher um calçado adequado para levar para o trabalho.

Em primeiro lugar, o sapato deverá ser adaptado à morfologia e tamanho do pé, uma vez que o uso de sapatos demasiado apertados poderá causar, a curto prazo, o aparecimento de calosidades, bem como problemas mais graves a longo prazo. Enquanto que os sapatos excessivamente largos são um fator de risco para alterações ao nível da musculatura do pé.

Que características deverá ter o calçado de trabalho?

O calçado tem como principal missão proteger os nossos pés, fornecendo-lhes estabilidade, com a capacidade de amortecer o impacto dos pés com o solo. Porém, quando o calçado é inadequado ao tipo de pé e apoio plantar, bem como à atividade do utilizador, poderá funcionar como um agente agressor, contribuindo, por exemplo, para o surgimento de dor, bolhas, calos e edema, ou para o desenvolvimento do joanete e de deformações nos dedos e unhas.

Desta forma, existem alguns tipos de calçado que deverá evitar, como os sapatos de saltos altos e finos. Além da sua utilização aumentar o risco de quedas e entorses no tornozelo, este tipo de calçado leva a um aumento da pressão na parte da frente do pé, que passa a suportar todo o peso do corpo, podendo causar inflamação dos ossos e nervos. A sua utilização regular é ainda um fator de risco para o desenvolvimento do joanete e poderá ser também causa de problemas nos joelhos e pernas. Ao alterar a postura do corpo, este sapato pode comprometer a saúde da sua coluna vertebral.

No entanto, os saltos completamente rasos, como chinelos e sabrinas, são também uma opção a evitar, dado que não são adaptados à anatomia do pé, podendo provocar alterações à nossa forma de caminhar. Como não oferecem um bom suporte ao arco do pé, obrigam a um maior esforço por parte da planta do pé e do calcanhar, pelo que a sua utilização regular está associada ao desenvolvimento de fasceíte plantar. A sola dos chinelos e sabrinas é também demasiado fraca para amortecer o impacto do pé nas superfícies duras.

Com o objetivo de proteger o pé de acidentes de trabalho e lesões em determinados setores, como na indústria metalomecânica, existem normas que definem as especificações para calçado de segurança (Equipamento de Proteção Individual), sendo o seu uso obrigatório.

É importante salientar que deverá procurar que o calçado se adapte ao pé e aos seus movimentos, tal como à sua atividade, e não o oposto. Ainda assim, regra geral, existem algumas indicações e recomendações na hora de escolher os sapatos para o trabalho:

  • O calçado deve ser comprado ao final da tarde, altura em que os pés estão inchados;
  • Tendo em conta que o volume do pé se altera ao longo do dia e que este não permanece imóvel, deverá ter uma margem de aproximadamente 1 cm entre o seu dedo grande e a ponta do sapato;
  • Para uma melhor estabilidade do pé, opte por calçado com atacadores e com um bom contraforte na zona do calcanhar;
  • A biqueira do sapato deverá adaptar-se aos dedos do pé, de modo a evitar dores nos nervos e o surgimento do joanete e de unhas encravadas, bem como o agravamento de deformações nos dedos, como os “dedos em garra”;
  • Escolha um calçado que permita a ventilação do pé, de preferência em pele, de forma a prevenir a concentração de humidade e, assim, o surgimento de micoses;
  • A pensar nas suas atividades do dia a dia, a sola dos sapatos deverá ser antiderrapante e com maior resistência ao desgaste;
  • O salto deverá ser largo e com uma altura até 4 cm;
  • Prefira um calçado leve e maleável, para evitar bolhas e calosidades.

Artigo de opinião de Francisco Oliveira Freitas, podologista responsável pelo Centro de Podologia de Famalicão

10 cuidados a ter este verão para prevenir infeções nos pés

Os pés estão muitas vezes sujeitos a condições de calor e humidade, nomeadamente pelo uso de calçado fechado, que favorecem o desenvolvimento de fungos responsáveis por infeções. Tal como outra parte do corpo, os pés devem ser cuidados durante todo o ano, contudo, no verão e em tempo de praia e piscina são vários os fatores propícios ao surgimento de micoses e, por isso, é crucial que os cuidados com os pés não sejam esquecidos.

As micoses são infeções altamente contagiosas provocadas por fungos, que se desenvolvem e se reproduzem em ambientes quentes, húmidos e escuros. Para obter energia, estes microrganismos “alimentam-se” de queratina, uma substância presente na superfície da pele, unhas e cabelo. Em circunstâncias normais, os fungos não causam doença, no entanto, se reunidas as condições necessárias à sua proliferação, a infeção pode instalar-se.

As infeções fúngicas estão entre as principais patologias ao nível do pé e a sua incidência aumenta significativamente no verão. Com o aumento das temperaturas, a concentração de transpiração no calçado e a exposição dos pés, em especial na praia e nas piscinas públicas, estão entre os principais fatores de risco.

Ao nível do pé, podemos falar de dermatomicoses e onicomicoses (micoses nas unhas). O pé de atleta é uma das micoses mais comuns no pé e, uma vez que o seu contágio é mais frequente nas piscinas e balneários públicos, pode ser considerado a “doença do verão”. Este problema surge mais frequentemente nos espaços entre os dedos e os seus sintomas incluem vermelhidão, prurido (comichão), inflamação, mau odor e alterações da pele, podendo provocar bolhas, fissuras e descamação da pele. O contágio é favorecido pela água e areia, bem como pela pele seca e fissurada dos pés, um problema também comum nesta altura do ano.

Já a onicomicose, responsável por mais de metade das doenças que afetam as unhas, pode provocar a alteração da coloração, deformação, engrossamento da unha e dor. Em certas situações, poderá verificar-se o descolamento da unha do leito ungueal. A dor poderá ser agravada pela pressão exercida pelo calçado.

O tratamento dependerá do tipo de fungo e da gravidade da micose, tal como do estado de saúde da pessoa, sendo muitas vezes necessária a prescrição de medicamentos de uso tópico e comprimidos de ingestão via oral. No que diz respeito à onicomicose, o objetivo da terapêutica é o crescimento de uma unha saudável, que demora pelo menos 12 meses a crescer desde a raiz até à ponta. Vigiar diariamente os pés permite a deteção dos sinais de infeção e facilita a obtenção de um diagnóstico precoce. Na presença de um ou mais sintomas de micose no pé, o próximo passo é recorrer a um podologista para tratar imediatamente a infeção e evitar que toda a família seja contagiada, uma vez que as micoses podem servir como “portas de entrada” a agentes patológicos causadores de infeções graves.

Que cuidados devo ter para prevenir o contágio e o desenvolvimento de micoses no pé?

Transpirar dos pés é uma resposta biológica e fundamental para controlar a sua temperatura e manter a flexibilidade da pele, contudo, ao contrário de outras áreas do corpo através das quais pode evaporar facilmente, o uso de sapatos e meias pode levar à retenção de suor. Como o excesso de transpiração é naturalmente mais comum nas alturas de calor, é importante prevenir a concentração de humidade no calçado, que propicia o desenvolvimento de micoses.

Para evitar a exposição aos fungos pelo contacto com superfícies contaminadas, é crucial usar sempre chinelos em locais húmidos. Embora não se possa garantir que evite a 100 por cento a probabilidade de sermos contagiados, usando-os estamos bem mais protegidos contra este tipo de infeções. Doentes com diabetes e com o sistema imunitário debilitado devem ter cuidados redobrados.

De modo a prevenir infeções causadas por fungos, existem algumas recomendações a seguir no sentido de evitar o contacto direto com o fungo e, por outro lado, o desenvolvimento de condições favoráveis à sua proliferação, nomeadamente durante a estação mais quente do ano:

  • Usar sempre chinelos nas zonas de banho, como piscinas e balneários públicos;
  • Escolher calçado arejado e que permita a ventilação do pé;
  • Colocar os sapatos a arejar num local ventilado e iluminado e aguardar, pelo menos 24 horas, antes de calçar os mesmos sapatos novamente;
  • Preferir calçado em pele e meias de fibras naturais (preferencialmente de algodão);
  • Manter uma higiene cuidada do pé, lavando os pés com sabão de pH neutro;
  • Secar bem os pés com a toalha, especialmente os espaços entre os dedos;
  • Fazer uma hidratação diária dos pés;
  • Trocar de meias diariamente;
  • Em caso de excesso de transpiração, usar antitranspirante específico para os pés;
  • Não partilhar objetos pessoais, como toalhas, meias ou calçado.

Artigo de opinião de Francisco Oliveira Freitas, podologista responsável pelo Centro de Podologia de Famalicão

Calçado e corte adequados previnem “unha encravada”

Em qualquer idade, estamos suscetíveis ao surgimento de problemas nas unhas que podem mudar o seu formato, textura, coloração e saúde. Todas as pessoas devem manter-se atentas a estas possíveis alterações, que não afetam apenas a estética das suas mãos ou pés. As unhas, além de responsáveis pela proteção das pontas dos dedos e ações que envolvem alguma precisão, podem funcionar ainda como um alerta de que algo não está bem. Por vezes, estas modificações são mesmo sinais iniciais do desenvolvimento de doenças sistémicas.

A onicocriptose, vulgarmente reconhecida como “unha encravada”, é uma lesão comum que deve ser tratada atempadamente de modo a evitar infeções causadas por bactérias e o recurso à cirurgia. Normalmente, este problema surge no dedo grande do pé, quando um ou os dois cantos da unha crescem em direção à pele circundante do dedo e a perfuram, chegando aos tecidos mais profundos, em vez de crescerem em linha reta para além das margens do dedo.

Quando a unha penetra a pele, a pessoa poderá notar dor, vermelhidão, irritação, inchaço e pus. Para prevenir o agravamento do estado da unha e do pé, é necessário um especial cuidado com a “unha encravada” e um diagnóstico precoce. Sobretudo pessoas com diabetes e outras patologias que causem uma circulação deficiente, lesões nos nervos da perna ou do pé ou com a unha já infetada devem adotar uma atitude preventiva, logo à primeira suspeita, e procurar ajuda especializada. Para o tratamento podológico da “unha encravada”, poderá recorrer-se a técnicas não traumáticas que permitem corrigir a unha, removendo a espícula, ou a um procedimento cirúrgico definitivo que remove a parte encravada da unha, quando a situação clínica se torna crónica e de difícil resolução.

Quais as causas desta lesão na unha?

Esta situação clínica afeta principalmente adolescentes e adultos, sendo muitas vezes causada por um corte incorreto. Uma vez que cortar demasiado as unhas, principalmente nas laterais, potencia o risco de vir a ter unhas encravadas. O uso de calçado apertado que causa pressão nas unhas, como sabrinas ou chuteiras, fazendo com que comecem a crescer dentro da pele, é também uma das principais razões. Além dos riscos associados a fatores hereditários e genéticos, à prática desportiva e a traumatismos do dia-a-dia, a ansiedade e os desequilíbrios hormonais podem ainda acelerar o crescimento das unhas, o que faz com haja uma maior tendência para desenvolver este problema podológico. O excesso de transpiração é um outro fator, dado que as unhas se tornam mais moles e, por isso, ficam mais sujeitas a partir-se.

Como posso prevenir a “unha encravada”?

Estar atento aos sinais e sintomas, vigiar a sua saúde e visitar com regularidade um podologista são alguns dos cuidados a ter para dar “um passo por cima” deste problema. No dia-a-dia existem ainda alguns cuidados e hábitos de prevenção da “unha encravada”:

  • Com o verão “à porta”, use calçado arejado e que permita a ventilação do pé, uma vez que os sapatos fechados aumentam o calor e a humidade local;
  • Cortar as unhas em linha reta, não fazendo um corte arredondado nos cantos, de modo a permitir que a unha cresça para além da pele nas margens;
  • Não cortar demasiado as unhas;
  • Ao invés de uma tesoura ou corta-unhas, optar por um alicate de pontas retas, de maneira a não cortar as extremidades dos cantos das unhas;
  • Escolher um calçado adequado à largura e comprimento do pé, procurando que o sapato não pressione os dedos;
  • Trocar regularmente de calçado e colocá-lo a arejar, para evitar a concentração de humidade;
  • Escolher meias de algodão;
  • Fazer uma higiene cuidada do pé, secando bem os espaços entre os dedos

 

Artigo de opinião de Francisco Oliveira Freitas, podologista responsável pelo Centro de Podologia de Famalicão

A idade aumenta e os cuidados a ter com os pés também

A esperança média de vida aumentou notavelmente e, com ela, regista-se um envelhecimento considerável da população. Em Portugal, segundo dados da PORDATA, registaram-se mais de 2.1 milhões de idosos em 2017, o que equivale a cerca de 21 por cento da população total no país. Já um recente estudo da consultora Euromonitor International apontou a população portuguesa como a quinta mais envelhecida do mundo.

O processo de envelhecimento traz consigo, habitualmente, complicações diversas na saúde das pessoas, e os pés não são exceção. Entre as principais causas para o surgimento de alterações podológicas no idoso estão: a presença de traumas e/ou problemas anatómicos do pé, que por falta de diagnóstico ou tratamento incorreto, têm danificado a estrutura do membro inferior; o uso de calçado desadequado ao longo da vida; e a regular realização de atividades que requeiram estar muito tempo de pé.

O sedentarismo, a obesidade e a presença de doenças crónicas, como a diabetes ou a doença arterial periférica, que contribuem para a má circulação sanguínea, são igualmente fatores impulsionadores do aparecimento de doenças podológicas.

Mas quais são as complicações mais frequentes no pé de um idoso?

As doenças mais comuns na podologia geriátrica são o pé diabético, as artroses, as artrites, as calosidades e as onicomicoses.
O pé diabético é uma condição associada a presença da diabetes, que se carateriza pela perda da sensibilidade do pé, fazendo com que a pessoa deixe de sentir dor, mudanças de temperatura, etc. Para além disto, a pele do pé começa a secar, o que leva ao surgimento de feridas, queimaduras ou bolhas, que posteriormente podem dar origem a infeções.

A osteoartrose, ou artrose, é uma doença degenerativa que resulta na diminuição da espessura da cartilagem articular, podendo levar ao seu desaparecimento. Nestes últimos casos, a inexistência desta cartilagem leva a que duas superfícies ósseas entrem em contacto, o que acaba por dar origem a dores e dificuldades motoras.

Já a artrite reumatoide é uma doença crónica que se define pela inflamação articular que pode mesmo levar à danificação e consequente destruição do tecido articular. Para além das dores e dificuldades de locomoção, a artrite é detetada aquando da existência de um derrame articular, vermelhidão, calor ou dor durante a movimentação.

As calosidades, comummente denominadas por calos, constituem uma camada espessa de células mortas, que se forma no seguimento da contínua pressão exercida pela utilização de meias ou calçado inadequados, assim como pelo excessivo esforço físico a que o pé pode ser submetido. Existem fundamentalmente dois tipos de calos: os calos moles, que se desenvolvem entre os dedos, e os calos duros, que surgem nas extremidades dos dedos.

Também conhecida como micose das unhas, a onicomicose é uma doença infeciosa derivada da presença de fungos nas unhas do indivíduo. Esta pode ser causada pela utilização de produtos de beleza, pelo contacto de agentes externos (por exemplo, sujidade no solo), ou pela incorreta desumidificação do calçado. A higiene é uma das medidas essenciais para a prevenção da onicomicose.

O que se pode fazer?

Se não forem diagnosticadas e tratadas a tempo, estas doenças podem afetar negativamente a mobilidade dos idosos, provocar instabilidade postural e pôr em causa a qualidade de vida.

Para além de estar sempre atento à sua saúde e visitar com regularidade um podologista, deverá adotar alguns hábitos de cuidados dos seus pés (sendo idoso ou não): manter uma boa e diária hidratação; cortar as unhas de forma reta (não cortando os cantos); fazer higiene diariamente, tendo o cuidado de secar bem nos espaços interdigitais; usar meias de fibras naturais (preferencialmente em algodão ou lã); usar calçado de tamanho apropriado e, se possível, em pele; evitar calçado de tacão alto; evitar andar descalço em lugares públicos.

Artigo de Opinião de Francisco Oliveira Freitas, podologista responsável pelo Centro de Podologia de Famalicão

O impacto da má alimentação na saúde dos pés

A má alimentação tem, como todos sabemos, um impacto gigante na nossa saúde. No entanto, o que muitos menosprezamos é a influência que um estilo de vida pouco saudável tem no bem-estar nos nossos pés. O mês de dezembro é, tipicamente, uma época marcada pelas “asneiras” alimentares, que todos acabamos por cometer. O Natal e todas as suas festividades associadas, como os vários jantares de família ou encontros de amigos, levam, na grande maioria das vezes, à ingestão de diversos pratos e doces típicos desta época especial. No entanto, apesar de estarmos em constante contacto com estes alimentos, é essencial existir um controlo, pois a gastronomia tradicional natalícia contem, na maioria dos casos, enormes quantidades de açúcar e gorduras, entre outros ingredientes prejudiciais à saúde humana. Uma alimentação feita à base de produtos ricos em açúcares, óleos, carnes vermelhas ou gorduras animais, têm grandes consequências no bem-estar físico. No caso específico do pé, este tipo de alimentos pode influenciar ao aparecimento de uma crise de “gota”, caracterizada pelo excesso de ácido úrico, no dedo grande do pé, que provoca dor extrema e grande incapacidade. No caso de ser diabético, o cuidado com aquilo que ingere deve ser ainda maior. Para além de a elevada ingestão de açúcares ser um grande problema para os diabéticos, estes ficam sujeitos a várias complicações relacionadas com os desequilíbrios alimentares. O pé diabético é um exemplo bastante comum. Para qualquer um dos casos, a solução passa por manter uma alimentação equilibrada. Para tal, não é necessário evitar completamente a ingestão dos pratos e doces tradicionais, mas sim diminuir as suas quantidades. Em alternativa, poderá comer mais vegetais verdes (como as couves, nabiças, espinafres), fruta da época (como laranjas, dióspiros, romã), frutos secos ou carnes magras (por exemplo, pode substituir as carnes vermelhas pelo peru, também ele típico desta época). Considerando a vitalidade que os seus pés têm para o bem-estar do seu corpo, uma vez que estes são a base que nos suporta, não descure os cuidados associados a este membro. No Centro de Podologia de Famalicão, oferecemos diversos serviços relacionados com o pé, nomeadamente um serviço de apoio à pessoa com diabetes, com especial destaque para o Pé Diabético. Artigo de Opinião de Francisco Oliveira Freitas, Podologista e Presidente da Assembleia Geral da Associação de Diabéticos de V. N. Famalicão

Diabetes: a doença familiar do século XXI

Dia 14 de novembro celebra-se o dia mundial da Diabetes A Diabetes é uma doença crónica caracterizada pelo aumento da glicose (os níveis de açúcar presentes no sangue), provocado pela insuficiente produção de insulina- a hormona responsável por transportar a glicose da corrente sanguínea para as células, cuja fonte energética é a glicose. Atualmente, esta doença afeta mais de 40% da população portuguesa, e prevê-se um aumento exponencial deste número nos próximos anos. Existem vários tipos de Diabetes, com sintomas e necessidades bastante distintas, que podem, portanto, afetar qualquer faixa etária. Todos os diabéticos, independentemente do seu tipo, precisam de acompanhamento e atenção redobrada.  No entanto, a assistência médica não é suficiente, sendo fundamental o apoio e atenção da família e amigos para o bem-estar, físico e psicológico. A dinâmica familiar é alterada desde o diagnostico, quer seja a nível económico ou social, sendo exigida flexibilidade, serenidade e paciência a todos os membros da família. Diariamente, surgem novas situações e imprevistos, que podem afetar todos os familiares. Para além disso, em muitos casos, o tratamento da diabetes tem de ser vigiado ou até mesmo administrado por um familiar. Em doenças como a Diabetes, que são incuráveis e desgastantes para o corpo humano (a nível físico e psicológico), a companhia dos que ama é fundamental para que a pessoa com diabetes possa viver uma vida perfeitamente saudável e normal, com um bom controlo glicémico. No entanto, apesar de não ter cura, são vários os cuidados que os diabéticos devem ter, como manter uma alimentação saudável, praticar regularmente exercício físico e ingerir mais do que 1,5 litros de água diariamente. Por outro lado, é importante existir um diagnóstico precoce da diabetes, sendo essencial estar atento a possíveis sintomas como: ter constantemente fome e sede, urinar mais do que o habitual e perder muito peso. No entanto, é muito fácil ignorar estes sintomas, uma vez que podem facilmente ser associados a outras doenças. Para ser diagnosticada é apenas necessária uma análise ao sangue. No Centro de Podologia de Famalicão, oferecemos um serviço de apoio à pessoa com diabetes, com especial destaque para o Pé Diabético, uma das problemáticas associadas a esta doença. Artigo de Opinião de Francisco Oliveira Freitas, Podologista e Presidente da Assembleia Geral da Associação de Diabéticos de V. N. Famalicão

Postura errada no trabalho pode ter impacto enorme na saúde

Ter uma postura adequada é uma dificuldade na sociedade atual. Deste modo, grande parte dos problemas de saúde têm origem na adoção de posturas prejudiciais para o corpo humano.  As dores na região lombar afetam mais de 70% das pessoas, sendo que 50% provocam um sofrimento incapacitante. Os erros de postura mais graves acontecem no local de trabalho, onde, inconscientemente, agimos erradamente para com a nossa coluna. Um dos principais problemas passa pelo sedentarismo, que a maioria das profissões exige, levando a que os indivíduos passem mais de 10 horas sentados. Por outro lado, a maioria das pessoas não tem uma postura correta quando está à frente da secretária, assumindo posições extremamente prejudiciais à coluna. Para além da típica dor lombar, uma má postura pode, fisicamente, provocar dores nos pés, dificuldades na recuperação pós treino, fadiga, tensão arterial alta, obstipação, ou síndroma do túnel cárpico – condição gerada por um aperto nervoso no punho, que provoca adormecimento, parestesias, dor. A nível psicológico, a adoção de posturas erradas pode gerar desmotivação, mau humor ou problemas de sono. No entanto, apesar da enorme dificuldade em melhorar a postura, existe simples ações, que podem ser essenciais para prevenir as lesões nas costas. Alguns exemplos de boas práticas a adotar, para melhorar a sua saúde, são:
  • Evitar o transporte de malas pesadas, que podem provocar um desgaste acrescido na coluna vertebral;
  • Sentar-se em ângulo reto, tocando com a coluna nas costas da cadeira, por forma a evitar a adoção de posturas erradas;
  • Levantar-se regularmente, de modo a alongar os músculos e articulações;
  • Trocar o elevador pelas escadas, exercitando o corpo.
No Centro de Podologia de Famalicão, existem serviços dedicados exclusivamente à postura, fundamentais para melhorar o bem-estar, físico e psicológico, dos pacientes que se confrontam com este tipo de problemas. Artigo de Opinião de Francisco Oliveira Freitas, Podologista e Presidente da Assembleia Geral da Associação de Diabéticos de V. N. Famalicão