Pés saudáveis no verão: o primeiro passo para umas férias perfeitas

Dia após dia, os pés suportam o peso do nosso corpo e, por serem o nosso ponto de contacto com o solo, são os principais recetores de impactos, estando submetidos a uma grande tensão e desgaste. Fundamentais para a execução de diversas tarefas, em contexto desportivo e profissional, os pés estão assim vulneráveis à ocorrência de lesões e alterações.

Se várias são as profissões que implicam que os colaboradores estejam sentados à secretária durante as várias horas do dia, podendo o sedentarismo traduzir-se em impactos significativos na mobilidade da pessoa e na saúde dos seus pés, várias são as atividades profissionais que envolvem ficar em pé ou caminhar em superfícies duras por longos períodos. O que está, por exemplo, associado a um maior risco de fasceíte plantar, uma condição dolorosa que se deve à inflamação da fáscia plantar, uma banda de tecido fibroso que liga o calcanhar aos dedos. Por vezes, o trabalho poderá ainda exigir o uso de sapatos de salto alto, que conduzem a um aumento da pressão na parte da frente do pé, ou o uso de calçado apertado ou bicudo que, além das dores, pode potenciar o aparecimento de bolhas, calosidades, unhas encravadas, joanetes e deformações nos dedos.

Contudo, apesar das férias significarem possivelmente dias de descanso, o verão não significa que esteja imune ao surgimento de problemas podológicos. Pelo contrário, com uma maior exposição dos pés, o aumento das temperaturas e a alteração das nossas rotinas, os riscos aumentam e os cuidados a ter com os nossos pés também.

Sendo esta a época do ano mais propícia ao surgimento de micoses, face ao risco de concentração de transpiração no calçado e à tendência de passarmos os dias nas praias e piscinas, sítios que facilitam a proliferação de fungos, é crucial evitar o seu contágio através do contacto direto com a pele infetada ou com superfícies ou objetos contaminados, tendo o cuidado de utilizar chinelos nas zonas de banho e de não partilhar objetos de higiene ou de cuidado pessoal, como toalhas, corta-unhas, meias e calçado. Por outro lado, é preciso contrariar o desenvolvimento de condições favoráveis à sua proliferação, privilegiando um calçado arejado e que permita a ventilação do pé, como sandálias, de preferência, em pele.

Manter uma higiene cuidada, que inclui lavar os pés diariamente com água morna e um sabão de pH neutro, bem como secá-los com uma toalha macia, sem esquecer os espaços entre os dedos, trocar de meias, sempre que estas estiverem húmidas, para prevenir a concentração de humidade e o desenvolvimento de fungos e bactérias, recorrer a antitranspirantes e antissépticos e ainda colocar o calçado a arejar, num local ventilado, são medidas essenciais.

Na sequência de uma barreira lipídica comprometida, que não é capaz de reter água suficiente, a pele seca manifesta-se como áspera, irritada e sem flexibilidade. Os pés estão entre as partes do corpo mais frequentemente afetadas, existindo fatores instigadores, tais como mudanças sazonais, ar seco e contacto prolongado com a água, na sequência de banhos prolongados no mar, rio e piscina, que removem os óleos naturais que compõem a barreira da pele. Adicionalmente, a vulnerabilidade da pele seca pode representar riscos para a saúde, uma vez que esta torna-se frágil e perde elasticidade, podendo levar ao aparecimento de fissuras, especialmente em torno do calcanhar, que, em casos mais graves, podem causar dor e inflamação e que funcionam como uma porta de entrada para agentes patogénicos. Neste sentido, prevenir as queimaduras solares, tomar um duche com água doce, depois de um mergulho, e aplicar diariamente um creme ou loção hidratante é fundamental.

Os pés são também sensíveis à excessiva exposição solar, muito pelo facto de estarem “escondidos” a maior parte do ano pelo uso de calçado fechado. Assim, para evitar queimaduras solares, é necessário evitar a exposição ao sol nas horas de maior calor e aplicar protetor solar, com fator elevado de proteção, nos pés.

Alguns hábitos de verão podem também ser prejudiciais, tais como: a utilização regular/diária de chinelos de dedo, que pode potenciar a inflamação da fáscia plantar e o surgimento de problemas nos joelhos, ancas ou costas; utilizar verniz nas unhas dos pés por mais de 15 dias; e o uso de sapatos sem meias, dado que estas protegem os pés das bolhas e da fricção do pé contra o sapato e contribuem para o controlo da humidade.

Não comprometa as suas férias! Siga estes cuidados e vigie diariamente os seus pés e unhas. Além do aparecimento de manchas, vermelhidão, prurido (comichão) e mau odor, que podem ser sinais de micoses no pé, deve ficar atento ao surgimento de bolhas, descamação, calosidades, fissuras e feridas, bem como observar regularmente a coloração, formato e textura das suas unhas. Lembre-se de que a deteção atempada de alterações, permite um diagnóstico precoce e um acompanhamento adequado, por parte do seu Podologista.

Artigo de opinião de Francisco Oliveira Freitas, podologista responsável pelo Centro de Podologia de Famalicão

 

Conheça o melhor tipo de calçado para miúdos e graúdos

Os pés são os componentes finais dos membros inferiores e, por isso, são responsáveis pela sustentação do corpo, atuando como a nossa base de apoio e de equilíbrio. Além de desempenharem um papel fundamental na nossa postura, funcionam como uma alavanca no processo de locomoção, sendo submetidos a um ciclo sucessivo de carga e descarga.

Ao serem os constituintes do corpo humano que estabelecem diretamente o contacto com o solo, os pés oferecem estabilidade, suportam as agressões do terreno e absorvem os impactos quando caminhamos, corremos ou saltamos. Neste sentido, é fácil de percebermos a importância de protegermos os nossos pés, sendo esta a principal função do calçado.

Com a missão de preservar a integridade dos pés, os sapatos devem oferecer conforto e um bom suporte (com apoio na zona do arco do pé), proteger os pés dos fatores ambientais, evitar a sua exposição a riscos, como objetos pontiagudos e superfícies desconfortáveis, proporcionar uma boa tração, ajudando a prevenir as quedas, e amortecer os impactos dos pés com o solo.

Contrariamente a isso, o calçado pode funcionar como um agente agressor, pois optar por uns sapatos com as características erradas pode prejudicar a saúde e o desempenho do pé. Isto porque a utilização de calçado inadequado contribui para o surgimento de desconforto e dores, bem como para o desenvolvimento de lesões e deformidades nos pés, podendo, consequentemente, surgir problemas nos joelhos, ancas e costas.

Recomendações comuns para todas as idades

Para prevenir problemas podológicos, o sapato deverá ser adaptado à morfologia e tamanho do pé, uma vez que a utilização de calçado apertado, além do surgimento de dores, pode causar bolhas, calosidades, unhas encravadas e joanetes, tal como outros problemas a longo prazo. Particularmente no caso das crianças, dado que os seus pés estão em contínuo desenvolvimento e são frágeis, é de extrema importância que os pais verifiquem regularmente se o calçado se ajusta corretamente ao comprimento e à largura do pé, e que dispõe de espaço suficiente para que a criança possa mexer todos os dedos livremente.

Neste sentido, e tendo em conta que o volume do pé se altera ao longo do dia, saiba que o calçado deve ser comprado ao final da tarde, altura em que os pés estão inchados. Os nossos pés também não permanecem imóveis dentro do calçado, pelo que, para acompanhar o seu deslocamento ao caminhar, deverá existir uma margem de cerca de um centímetro, entre a ponta do calçado e a ponta do dedo grande. Já os sapatos excessivamente largos são um fator de risco para alterações ao nível da musculatura do pé e também causam desconforto, sendo que, devido à combinação entre pressão e fricção, podem levar igualmente ao surgimento de bolhas.

Para evitar as bolhas e calosidades, os materiais flexíveis e maleáveis devem ser a primeira escolha, assim como os materiais respiráveis que, por permitirem a ventilação do pé, deixando o ar circular e contribuindo para a absorção e evaporação da transpiração, ajudam a evitar o surgimento de micoses. Disso é exemplo o calçado em pele.

No respeitante à altura do calçado, esta não deve ultrapassar os quatro centímetros, de modo a evitar o risco acrescido de entorses, joanetes e inflamações, bem como a adoção de uma posição pouco natural do pé e alterações ao nível da postura, o que contribui para as dores nas costas.

Que características deve ter o calçado das crianças?

O pé infantil está em contínuo desenvolvimento musculosquelético e, por isso, a utilização de calçado adequado é fundamental para evitar impactos significativos para a saúde das crianças, que vão desde as reações cutâneas até às alterações estruturais, comprometendo a forma e a funcionalidade do pé. Além da comodidade, existem outros fatores que deve ter em conta:

  • A sola deverá ser resistente e flexível, de modo a permitir a mobilidade do pé, antiderrapante e relativamente fina, sem perder a capacidade de amortecer o impacto dos pés com o solo;
  • O sapato deverá ainda comportar os dedos na sua posição natural;
  • Para uma maior estabilidade do pé, o calçado da criança deverá possuir reforço na zona do calcanhar e os atacadores devem estar sempre bem apertados;
  • Os sapatos devem ficar abaixo dos tornozelos;
  • O calçado deve possuir apoio lateral.

Artigo de opinião de Francisco Oliveira Freitas, podologista responsável pelo Centro de Podologia de Famalicão (pode ver aqui o exemplo: https://www.postura.pt/conheca-os-cuidados-diarios-que-deve-ter-com-os-pes-mesmo-em-tempos-de-pandemia/ )

Conheça os cuidados diários que deve ter com os pés mesmo em tempos de pandemia

Neste período de pandemia, em que ‘prevenir’ é a palavra de ordem, é crucial relembrar a importância de prevenir também o surgimento de problemas nos pés, que são o alicerce da nossa postura, sustentando o corpo e permitindo a marcha.

Os pés são submetidos, dia após dia, a uma grande tensão e desgaste. Além disso, a possível ocorrência de traumatismos, a utilização de calçado inadequado, a adoção de posturas incorretas, os fatores ambientais e a ausência de cuidados, que podem tornar os pés vulneráveis à ação de bactérias, vírus ou fungos, contribuem para o surgimento de lesões e problemas podológicos.

Por passarem a maior parte do tempo escondidos pelo calçado, os pés são frequentemente esquecidos. No entanto, vigiá-los diariamente é o primeiro passo para a deteção de alterações, permitindo um diagnóstico precoce e um acompanhamento adequado, de modo a prevenir o agravamento de complicações resultantes, por exemplo, de feridas ou bolhas. Além de estar alerta para possíveis alterações da pele, que podem ser sinais de micose no pé, no respeitante às unhas, deverá estar atento a irregularidades relativas ao seu formato, textura e coloração.

Para proteger a integridade da pele e preservar a saúde dos pés, que estão muitas vezes sujeitos a condições de calor e humidade, que favorecem o desenvolvimento de fungos responsáveis por infeções, recomenda-se uma lavagem diária dos pés. Neste sentido, lembre-se de que uma correta higiene inclui: lavar os pés com água morna e um sabão de pH neutro; secá-los com uma toalha macia, sem esquecer os espaços entre os dedos; e a aplicação de um creme/loção hidratante, o que contribui para manter a pele dos pés suave e hidratada, protegendo-os dos agressores externos e ajudando a prevenir as calosidades.

Isto porque, ao contrário de outras áreas do corpo, através das quais o suor pode evaporar facilmente, o uso de sapatos e meias pode levar à concentração de humidade. Assim, e de modo a prevenir o desenvolvimento de fungos e o crescimento de bactérias responsáveis por maus odores, nomeadamente com a chegada da primavera, além de trocar de meias diariamente, deverá também alternar o seu calçado, evitando o seu uso contínuo. Aconselha-se que coloque os sapatos a arejar e que aguarde, pelo menos 24 horas, antes de calçar os mesmos sapatos novamente. Escolha também um calçado que permita a ventilação do pé, de preferência em pele, e meias de fibras naturais, preferivelmente de algodão.

Caminhar descalço tem as suas vantagens ao nível da circulação sanguínea, induzindo um estado de relaxamento perante os esforços a que os pés estão sujeitos no dia a dia. Contudo, mesmo em casa, deve evitar passar longos períodos sem calçado, uma vez que este tem como principal missão proteger os nossos pés, fornecendo-lhes estabilidade, com a capacidade de amortecer o impacto dos pés com o solo. Ao andar descalço está a deixar os seus pés expostos a perigos e também a impurezas, fazendo com que a pele perca a sua humidade e com que fique ressequida, o que pode levar ao surgimento de fissuras.

No respeitante ao calçado, não se esqueça de que este deve ter entre três a quatro centímetros de sola e não mais, uma vez que quanto maior for a altura dos sapatos, menor a superfície de apoio do pé. Já os saltos completamente rasos, como chinelos e sabrinas, são também uma opção a evitar, pois a sua sola é demasiado fraca para amortecer o impacto do pé nas superfícies duras. Além disso, não oferecem um bom suporte ao arco do pé, pelo que a sua utilização regular está associada ao desenvolvimento de fasceíte plantar. Os chinelos abertos deixam também o pé exposto, aumentando o risco de lesões.

Complementarmente, não deixe as unhas dos pés demasiado longas ou curtas. Tenha antes em conta a linha dos dedos como medida. Não faça um corte arredondado nos cantos, de modo a permitir que a unha cresça para além da pele nas margens, e lave primeiramente as mãos.

A Podologia é uma especialidade do ramo da saúde que tem como objetivo estudar, prevenir, diagnosticar e tratar todo o tipo de patologias que incidem a nível do pé, bem como todas as repercussões que atingem o sistema locomotor.

Artigo de opinião de Francisco Oliveira Freitas, podologista responsável pelo Centro de Podologia de Famalicão

Esporão do calcanhar: conheça os fatores de risco

O esporão do calcanhar é uma das mais de 300 condições patológicas que podem afetar os nossos pés e consiste numa protuberância óssea que se forma no osso do calcanhar, o calcâneo. Esta patologia é mais comum no sexo feminino, muito em virtude de uma má escolha do calçado, e em pessoas com excesso de peso, sobretudo acima dos 40 anos, devido ao desgaste natural.

Consequência de um processo fisiológico causado pela calcificação dos tecidos, este problema tem origem numa inflamação resultante de uma elevada e repetida pressão na planta do pé. Normalmente, o esporão do calcanhar manifesta-se por uma dor intensa nesta zona, semelhante a uma picada, uma vez que a este se associa a inflamação da fáscia plantar (fasceíte plantar), uma banda de tecido fibroso que liga o calcanhar aos dedos, que tipicamente se faz sentir quando nos levantamos da cama pela manhã e damos os primeiros passos.

Ainda que, muitas vezes, as inflamações que levam à formação desta pequena projeção de osso provoquem dor aguda, principalmente ao caminhar, correr ou saltar, cerca de 27% da população portuguesa sofre deste problema de forma assintomática.

Entre os fatores de risco que propiciam o desenvolvimento do esporão do calcanhar e da fasceíte plantar incluem-se a idade (faixa etária acima dos 40 anos), a obesidade, a utilização de calçado inapropriado, a presença de pé plano ou pé cavo, bem como a prática de atividades desportivas que implicam tensão sobre o calcanhar, como a corrida.

O diagnóstico do esporão do calcanhar é realizado com recurso a uma radiografia ou a uma ressonância magnética, sendo também importante fazer uma avaliação morfológica do pé, realizada por um Podologista, para um tratamento adequado e atempado. Este pode passar pelo uso de palmilhas personalizadas, fisioterapia e anti-inflamatórios, com o objetivo de reduzir a dor. Quando estes métodos não se revelam eficazes, a cirurgia é o tratamento que permite eliminar definitivamente a saliência óssea.

Para evitar o surgimento desta patologia é recomendável a realização de um correto aquecimento, antes da prática de exercício físico, contudo, a carga de atividade física deve também ser controlada. Além disso, é importante escolher o calçado adequado ao tipo de pé e apoio plantar, bem como à atividade do utilizador, sendo que os sapatos de salto alto e bicudos à frente devem ser evitados. O controlo do peso é também fundamental, de modo a que não se verifique uma sobrecarga dos membros inferiores, o que agrava a dor e a inflamação.

Cuide dos seus pés, tenha atenção à escolha do calçado e, em caso de suspeitar deste problema, consulte um Podologista. Assegure a sua qualidade de vida.

Artigo de opinião de Francisco Oliveira Freitas, podologista responsável pelo Centro de Podologia de Famalicão

Calosidades podem ser prevenidas

As calosidades, comummente denominadas por calos, constituem uma camada espessa de células mortas, que se forma no seguimento da contínua pressão exercida pela utilização de meias ou calçado inadequados, assim como pelo excessivo esforço físico a que o pé pode ser submetido. Existem fundamentalmente dois tipos de calos: os calos moles, que se desenvolvem entre os dedos, e os calos duros, que surgem nas extremidades dos dedos.

As principais causas para o aparecimento de calosidades são o uso de calçado inadequado e mal ajustado ao pé; a atividade profissional ou desportiva que implique fricção e pressão constante; as deformações ósseas e estruturais dos dedos (como por exemplo, os dedos em garra) ou alterações na forma como cada pessoa caminha.

Para evitar o aparecimento de calosidades é recomendável o uso de calçado adaptado à morfologia e tamanho do pé, uma vez que o uso de sapatos demasiado apertados poderá causar, a curto prazo, o aparecimento de calosidades, bem como problemas mais graves a longo prazo. Além disso, é importante diminuir ou eliminar a pressão excessiva que está na origem das calosidades. A hidratação em zonas mais propicias a calosidades, como os calcanhares, ajuda a manter a elasticidade dos tecidos, e por isso, pode contribuir também para a sua prevenção.

A avaliação morfológica do pé, realizada na consulta de Podologia, é um importante método de diagnóstico das possíveis origens das calosidades, ajudando assim, à indicação do tratamento mais adequado.  O podologista poderá ainda recomendar formas de alívio da dor, proceder à eliminação das calosidades e aconselhar sobre a melhor forma de prevenir o seu reaparecimento, nomeadamente através da escolha do calçado mais adequado ao pé, e, em situações concretas, fazer de forma personalizada palmilhas compensatórias.

Artigo de opinião de Francisco Oliveira Freitas, podologista responsável pelo Centro de Podologia de Famalicão

463 milhões de adultos vivem com diabetes

A Diabetes consiste em alterações da quantidade de açúcar no sangue, sendo que é diagnosticada em mais de 40% da população portuguesa. O pé diabético está associado à presença de Diabetes e é uma das principais causas de amputação do pé, contudo, esta doença é muitas vezes negligenciada. Existem cuidados essenciais a ter de modo a evitar este problema e diminuir o seu impacto.

Segundo a Federação Internacional da Diabetes (International Diabetes Federation), até 2019 cerca de 463 milhões de adultos viviam com a diabetes, sendo que mais de 1,1 milhão de crianças e adolescentes viviam com a diabetes tipo 1.

É importante consciencializar a população para o diagnóstico prévio e que tenham em atenção as principais causas deste problema. Estas estão, por vezes, na má circulação sanguínea, no tempo demasiado longo em camas hospitalares e, principalmente, nas alterações da ramificação nervosa. É frequente que as pessoas com pé diabético sintam a pele a secar, o surgimento de feridas, queimaduras e bolhas que podem dar origem a infeções.

No sentido de evitar e prevenir este flagelo é essencial que as pessoas sejam acompanhadas por uma equipa multidisciplinar e especializada, que se complementa com os vários setores da área da saúde; tenham um estilo de vida saudável, apostando numa boa alimentação; uma higiene cuidada dos pés; pratiquem atividade física de forma regular e adotem posições favoráveis à estimulação da circulação sanguínea. Por outro lado, devem evitar fumar e estar em posições como pernas cruzadas.

Também a escolha de um calçado adequado e adaptado às necessidades de indivíduos com pé diabético é extremamente importante. Estes devem optar por um calçado confortável no seu todo, que se ajuste corretamente ao pé, de modo a não ser muito largo ou apertado. Não obstante, não é recomendável a utilização de sapatos com costuras no seu interior, bem como de meias apertadas.

A Federação Internacional da Diabetes estima que em todo o mundo existam 463 milhões de pessoas com diabetes, número que pode atingir os 700 milhões em 2045 (International Diabetes Federation [IDF], 2019).

 

Artigo de opinião de Francisco Oliveira Freitas, podologista responsável pelo Centro de Podologia de Famalicão

Calçado inadequado pode provocar problemas de saúde nos idosos

Nos idosos, o calçado deve adequar-se corretamente à morfologia e ao tamanho dos pés e ao tipo de atividade que se pretende realizar. A sua função não é de todo estética e por isso a escolha deve recair por um calçado que ajude a manter a estabilidade; a proteger o pé e o tornozelo do agravamento de certas doenças, como úlceras no pé – lesões ou feridas ligadas a um dano da pele, unha ou tecidos profundos; e a prevenir quedas e acidentes domésticos.

Recomenda-se a utilização de calçado que permita também a respiração do pé e a utilização de meias de algodão, pois este tipo de calçado ajuda a precaver, por exemplo, micoses – fungos que se desenvolvem e causam infeções na pele e nas unhas. O calçado deve ainda estar bem ajustado e de acordo com o peso corporal, de forma a não causar fricção, provocar desconforto ou gerar um mau apoio dos pés.

Já a adoção de um calçado antiderrapante e com uma sola robusta é indispensável para os idosos, pois faz toda a diferença na prevenção de quedas e acidentes domésticos, e por isso mesmo estes cuidados não devem ser negligenciados. Deve evitar-se calçado de tacão alto e não deve utilizar calçado com a sola desgastada.

Além disso, o calçado deve ser escolhido para dar mais conforto e deve ser ajustado tendo em conta as condições físicas, o tipo de atividade que desenvolve, e se possível o tipo de pele.

É fundamental ir com regularidade a um podologista para realizar um rastreio e possível diagnóstico, pois existem doenças que se não forem detetadas e tratadas a tempo podem ter efeitos nefastos na mobilidade dos idosos, na sua postura e consequentemente na sua qualidade de vida.

Cuide de si e dos seus pés, tenha atenção à escolha do seu calçado para assegurar uma boa qualidade de vida.

Artigo de opinião de Francisco Oliveira Freitas, podologista responsável pelo Centro de Podologia de Famalicão

O inchaço pode ser prejudicial durante a gravidez

Durante a gestação é bastante comum as mulheres sentirem dores e sofrerem de inchaço nos pés, tornozelos e pernas, especialmente a partir do 6º mês de gestação. O inchaço está diretamente ligado à retenção de líquidos, que tende a agravar-se com o avanço da gestação – devido a um aumento progressivo do tamanho do útero – e também à medida que o dia avança – devido à utilização posição horizontal durante a noite. Este tipo de problemas afeta diretamente a rotina diária das grávidas, pela dor e desconforto que causa, podendo reduzir a sua capacidade de realizar simples tarefas como limpar a casa e passar a ferro.

Existem mulheres mais predispostas para inchar, por exemplo, as que tiveram problemas de má circulação, dificuldade na drenagem linfática, diabetes, ou outras doenças, bem como a toma de alguns tipos de medicamentos. Numa situação regular, uma mulher grávida acaba por inchar, à medida que o feto cresce e o próprio útero começa a pressionar a veia cava, levando a um menor fluxo sanguíneo. A acumulação de sangue que daqui resulta faz com que seja enviada água para a zona dos pés e tornozelos através das veias capilares, levando então ao inchaço.

No entanto, o inchaço deve ser semelhante em ambos os pés, e não deve surgir rapidamente. Caso ocorra aceleradamente pode ser um sinal de problemas mais severos, por exemplo, pré-eclâmpsia, deverá consultar urgentemente um podologista.

Uma das formas mais comuns para prevenir o inchaço, consiste em contrariar a gravidade, ou seja, elevar os pés quando se está sentado, evitando assim a acumulação de água nos membros inferiores. Para além disso, pode favorecer dormir sobre o lado esquerdo do corpo, no sentido de amenizar a pressão do útero sobre a veia cava.

É recomendável o uso de calçado confortável, adequado e que não aperte, tendo em conta que o pé pode inchar. Prefira sapatos com sola de borracha para prevenir quedas, de salto médio para ajudar no inchaço e não totalmente planos visto que, fazem com que o peso do corpo recaia sobre os calcanhares.

Para evitar este problema pode também usar meias-calças ou collants de compressão para auxiliar a circulação sanguínea, evitar permanecer em pé e quando estiver sentada não cruzar as pernas.

O acompanhamento por parte de um podologista durante a gravidez é essencial, no sentido de elucidar os conselhos atrás referidos de forma mais personalizada e se necessário adotar medidas diferentes, de modo a proporcionar o maior conforto possível à mulher grávida.

Artigo de opinião de Francisco Oliveira Freitas, podologista responsável pelo Centro de Podologia de Famalicão

Queimaduras solares nos pés são muito frequentes e podem originar cancro

Os pés são a parte do corpo mais exposta ao sol, em especial na época do Verão. A exposição excessiva ao sol, principalmente nas horas em que o calor é mais forte, pode originar queimaduras solares, uma das principais causas de cancro na pele. Os pés são habitualmente negligenciados nos cuidados de proteção solar.

As queimaduras solares ocorrem quando a radiação ultravioleta atinge a camada superficial da pele, provocando uma lesão das suas células e um processo inflamatório agudo, que é possível reconhecer pela vermelhidão da pele.

A principal causa, passa pela falta de cuidados com os pés, como a não utilização de protetor solar ou pouca utilização nessa zona e ainda a sua exposição solar nas horas de maior calor.

Em caso de exposição solar excessiva dos pés deve colocar, imediatamente, pomadas hidratantes e anti-inflamatórias e compressas de água fria no sentido de aliviar a dor provocada pela queimadura.

Para evitar queimaduras solares nos pés é essencial colocar corretamente o protetor solar, com fator elevado de proteção, no dorso dos pés e nos dedos. Este simples gesto pode fazer toda a diferença na prevenção de queimaduras e consequentemente cancro na pele. As pessoas mais fragilizadas como os idosos e as crianças devem ter uma atenção redobrada, uma vez que a pele é, muitas vezes, mais sensível.

É recomendável ainda hidratar bem os seus pés e evitar a exposição solar nas horas de maior calor, nomeadamente entre as 11h e as 16h, procurando espaços frescos e sombras, uma vez que, para além das queimaduras previne o desenvolvimento de bolhas e descamação da pele.

Se porventura sentir algum sintoma como dor, bolhas, vermelhidão, perca de pele nos seus pés, deve marcar rapidamente uma consulta com um podologista, para um diagnóstico e tratamento adequados.

Artigo de opinião de Francisco Oliveira Freitas, podologista responsável pelo Centro de Podologia de Famalicão

Regresso aos treinos: cuidados a ter para prevenir as lesões desportivas

A possível redução dos níveis de atividade física, como resultado do período de confinamento, em consequência da pandemia, tem sido apontada como uma das principais preocupações, pelos riscos que representa para a saúde e bem-estar das pessoas.

Sabemos que a prática regular de exercício físico é um dos pilares para um estilo de vida saudável, contribuindo, por exemplo, para a redução do risco de doenças cardiovasculares e para o fortalecimento dos ossos e músculos. Já as consequências do sedentarismo incluem a obesidade, sendo ambos fatores impulsionadores do aparecimento de doenças nos pés, e de atrofia muscular, o que pode traduzir-se em prejuízos para a mobilidade das pessoas.

Contudo, além das precauções que os novos tempos exigem, pelo risco de contágio, no regresso aos treinos, é preciso que os cuidados para prevenir as lesões desportivas não sejam deixados para trás.

Considerada uma das lesões musculoesqueléticas mais comuns na população ativa e frequente no universo desportivo, a entorse do tornozelo ocorre na sequência de uma rotação extrema do membro inferior, quando um ligamento é forçado além da sua normal capacidade. No respeitante a esta lesão, os desportos com movimentos de impulsão e corrida, os antecedentes de entorses, a fadiga muscular e ligamentar, o uso de calçado instável e com sola desgastada, bem como a realização de atividade física em piso irregular estão entre os principais fatores de risco.

Ainda assim as duas causas principais de lesões desportivas são a prática de exercício físico sem o aquecimento inicial e sem os alongamentos finais.

Embora as entorses do tornozelo e outras lesões possam ser resultantes de erros técnicos ou esforço excessivo, os exercícios de aquecimento são muito importantes na sua prevenção, não apenas no que respeita aos pés, mas também aos músculos de todo o corpo, dado que estimulam a sua flexibilidade, contribuem para evitar possíveis estiramentos e roturas musculares e preparam ainda a mente para a prática do exercício físico.

O aquecimento deve dividir-se em duas etapas: o aquecimento geral, cujo principal objetivo é aumentar a temperatura do corpo, preparando o sistema circulatório e respiratório; e o aquecimento específico, que trabalha partes singulares do corpo e movimentos específicos.

Também os alongamentos são essenciais para acelerar a recuperação, de forma a promover a circulação sanguínea e a aliviar a tensão acumulada nos músculos. Estes exercícios podem e devem ser feitos também aquando do aquecimento.

Se com o desconfinamento está a retomar a sua rotina desportiva, e porque uma pessoa destreinada corre maior risco de se lesionar, inicialmente não deve exagerar no tempo, distância e intensidade dos treinos.

Para que seja saudável, a prática de exercício físico deve ser também adequada às necessidades de cada um, tendo em conta a idade, o género e possíveis patologias.

Cuidados a ter durante a prática de exercício físico:

  • Faça um aquecimento antes de iniciar a sessão, com duração entre 5 a 10 minutos, e com exercícios que estimulem a circulação sanguínea e preparem os músculos para o esforço;
  • No final de cada sessão, reserve cerca de 10 minutos para abrandar o ritmo cardíaco e para alongar os músculos (pode também completar com massagens nos pés);
  • O descanso é fundamental, por isso, no caso de realizar treinos intensos, faça pausas de 48 horas para recuperação muscular. Se a intensidade do exercício que pratica é baixa a moderada, pode fazê-lo em dias consecutivos;
  • Utilize calçado adequado a cada desporto. Enquanto que o calçado de corrida deve ter um bom amortecimento e ser leve e maleável, para praticar pilates deve usar sapatilhas antiderrapantes com proteção flexível. Já para desportos com grande intensidade, o pé deve estar bastante estável;
  • O calçado deve adequar-se corretamente aos pés, de modo a não causar fricção e deve oferecer proteção ao tornozelo;
  • Lembre-se que um par de sapatilhas dura 150 a 200 horas ou 500 a 600 km de treino;
  • Use roupa adequada à modalidade que pratica e, no verão, opte por um vestuário leve e com cores claras;
  • Calce meias de algodão;
  • Mantenha-se hidratado, sobretudo nestes dias quentes;
  • Preste atenção aos sinais de alarme e, se necessário, fale com um profissional de saúde.

Artigo de opinião de Francisco Oliveira Freitas, podologista responsável pelo Centro de Podologia de Famalicão