Cuide dos pés para aproveitar os benefícios do exercício físico

Trocar um estilo de vida sedentário por uma vida ativa é um ótimo princípio, mas para praticar atividade física de forma regular e usufruir dos seus benefícios, é muito importante cuidar do corpo. Como Podologista, cabe-me alertar para os cuidados a ter relativamente aos pés.

A prática de exercício físico contribui para o bem-estar físico e psicológico, diminui o risco de diversas doenças, como a obesidade, a diabetes tipo 2 e as doenças cardiovasculares, ajudando a fortalecer os ossos, os músculos e as articulações. Contudo, não podemos cair no erro de desvalorizar os riscos de uma má prática desportiva e da ausência de um acompanhamento profissional, quer do ponto de vista preventivo, quer na presença de alterações, problemas e lesões.

O Dia Mundial da Atividade Física é uma iniciativa da Organização Mundial de Saúde, que tem como principais objetivos combater os comportamentos sedentários, promovendo o exercício físico e o seu impacto positivo na saúde. No entanto, adjacentes à prática desportiva encontram-se alguns problemas podológicos, que com a adoção de medidas preventivas podem ser menos frequentes.

Em primeiro lugar, gostaria de falar sobre o pé de atleta, uma designação que se deve ao facto de este ser um problema comum em atletas, uma vez que os balneários e chuveiros reúnem as três condições favoráveis à proliferação dos fungos: baixa luminosidade, calor e humidade. A sua patologia mais frequente é a micose nos dedos e nos pés, provocando sintomas que incluem comichão, vermelhidão, fissuras, descamação da pele e mau cheiro. Além desta sintomatologia, a dor e a presença de bolhas de água ou pus são possíveis manifestações em casos mais graves. Utilizar chinelos nos vestuários e duches partilhados, fazer uma correta higiene diária, usar sapatilhas arejadas e que permitam uma boa ventilação, assim como secar bem os pés com a toalha, e em especial os espaços entre os dedos, são precauções a ter.

As calosidades podem também afetar os pés dos desportistas, em sequência, quer da fricção e pressão exercida durante o exercício físico, quer da utilização de um calçado apertado e inadequado à atividade praticada. Em resposta a essa “agressão”, desenvolve-se uma protuberância de tonalidade amarela, pela formação de uma camada espessa de células mortas. Para evitar as calosidades, é essencial uma hidratação diária, através da ingestão de uma quantidade suficiente de água e da aplicação de um creme ou loção hidratante, após o banho, uma vez que a pele estará limpa com os poros dilatados.

A prática de atividade física com sapatilhas apertadas potencia ainda a onicocriptose, reconhecida como “unha encravada”, uma vez que se verifica uma compressão dos dedos e uma maior pressão nesta região, fazendo com que a unha cresça dentro da pele circundante do dedo, perfurando-a. Escolher uma sapatilha adaptada à largura e morfologia do pé, de forma a conseguir mexer livremente os dedos, com uma margem de aproximadamente um centímetro entre o dedo grande e a ponta do sapato, bem como cortar as unhas em linha reta são ações preventivas.

Em resultado da inflamação da fáscia plantar, uma banda de tecido fibroso que liga o calcanhar aos dedos, a fasceíte plantar é um problema relativamente comum no universo desportivo, particularmente nos desportos que envolvam corrida, devido à elevada tensão e uso excessivo da fáscia plantar, responsável por absorver os choques no impacto do pé contra o solo. Para escapar a esta que é uma das causas mais comuns de dor na planta do pé e o motivo mais comum de dor no calcanhar, é crucial a realização de exercícios de aquecimento.

O aquecimento é também muito importante para prevenir a entorse do tornozelo, tal como os exercícios de alongamentos. Ocorrendo na sequência de uma queda, desequilíbrio ou salto que leva a uma rotação extrema do membro inferior e a uma sobrecarga dos ligamentos, a gravidade desta lesão depende do número de ligamentos afetados e se ocorreu, ou não, rutura dos mesmos.

A escolha das meias é igualmente importante para evitar eventuais problemas nos desportistas. Quanto ao material, as meias devem ser de fibras naturais, preferencialmente de algodão, que ajudam a absorver a humidade, diminuindo o risco de infeções. Para praticar atividade física sem bolhas, que são resultantes do atrito entre as sapatilhas, as meias e os pés, deve substituir-se as meias grossas e rijas por meias sem costuras e adequadas ao tamanho do pé.

Se as recomendações não forem suficientes para evitar estes problemas nos pés, em caso de dores frequentes e aos primeiros sinais de alarme, consulte um Podologista para uma análise, diagnóstico e tratamento adequado, capaz de precaver complicações subsequentes. Os atletas devem, pelo menos, de seis em seis meses recorrer a este profissional, de forma a prevenir e tratar alterações nos pés que podem colocar em causa a sua performance desportiva. Este especialista pode ainda aconselhar o paciente relativamente à escolha do calçado e avaliar a possibilidade de confeção de palmilhas personalizadas.

Artigo de opinião de Francisco Oliveira Freitas, podologista responsável pelo Centro de Podologia de Famalicão

Xerose cutânea: Uma possível consequência de um verão quente e seco

A pele é o maior órgão do corpo humano e soma inúmeras funções. Ao ser a separação entre o nosso organismo e o meio ambiente, a pele tem um papel protetor, ao defender o corpo contra traumatismos e microrganismos patogénicos, ajudando ainda na manutenção da sua temperatura e no equilíbrio de fluidos corporais.

Caracterizada pela secura extrema da pele, a xerose cutânea lesa particularmente a camada mais externa da epiderme, o estrato córneo, que funciona como uma barreira na qual reside a capacidade da pele de reter a água, o que contribui para a sua hidratação e elasticidade. Esta condição surge quando existe uma perturbação no “sistema” da pele responsável por assegurar a hidratação e manifesta-se sobretudo nas pessoas mais idosas ao nível dos membros inferiores. Uma vez que para a retenção da humidade intervêm as substâncias que constituem o Fator Natural de Hidratação (FNH) e a matriz lipídica, a carência de lípidos ou de outros fatores naturais de hidratação (como a ureia) estão entre os principais problemas de pele que podem desencadear a xerose cutânea.

A existência de um historial familiar deste problema, o envelhecimento da pele (idade), as alterações hormonais associadas à menopausa, uma dieta desequilibrada, o stress, fármacos/tratamentos que podem secar a pele e algumas patologias estão entre os fatores que podem ativar alterações na sua camada mais externa. Sobre os fatores externos que podem levar a mudanças fisiológicas e causar uma pele seca encontram-se as temperaturas extremas, a falta de humidade no meio ambiente, a exposição excessiva à água, o tabaco e o contacto com produtos químicos, detergentes ou cosméticos inadequados/agressivos.

Com um desenvolvimento insidioso, importa enumerar as principais manifestações da xerose cutânea. Ao nível dos pés, os sintomas iniciais são uma pele baça e sem brilho, rugosa e áspera ao toque. Com o tempo, a pele pode escamar e ficar irritada, surgindo fissuras na planta dos pés e nos

calcanhares, com risco de formação de feridas. Por estar a pele sem flexibilidade e elasticidade, a pessoa pode experienciar uma sensação de prurido e repuxamento. Propensa a situações de inflamação, pode verificar-se uma diminuição das funções protetoras da pele, uma vez que as gretas e fissuras podem funcionar como uma porta de entrada a agentes causadores de infeções.

No verão, se por um lado, as altas temperaturas e o clima seco favorecem as perdas excessivas de água por evaporação, a luz solar pode provocar a secura da pele, pelo que se torna necessário evitar a exposição prolongada dos pés ao calor e ao sol, o que acontece quando usamos calçado aberto ou quando andamos descalços nas praias e piscinas. Assim, devemos procurar sombra/abrigo nas horas de maior perigo e aplicar protetor solar, com fator elevado de proteção, nos pés, bem como optar por não utilizar diariamente chinelos de dedo. Paralelamente, e porque o contacto prolongado com a água contribui para a remoção dos óleos naturais da pele, é importante evitar os banhos demorados. Dado que o cloro das piscinas também pode provocar irritação, prurido e secura intensa da pele, depois de um mergulho devemos tomar um duche com água doce.

Controlar a exposição dos pés aos fatores externos é assim uma das medidas a ter para assegurar a integridade da pele dos pés, no entanto, também os maus hábitos de higiene a podem prejudicar. Neste sentido, e também quando a xerose cutânea se instala, é crucial lavar os pés diariamente com água não muito quente e com um sabão de pH neutro que não desidrate a pele. Logo após o banho, devemos aplicar um creme hidratante nos pés, uma vez que a pele estará limpa e os seus poros dilatados, o que facilita a sua absorção. Procurar beber água em quantidades suficientes e preferir meias de materiais naturais, como o algodão que não irrita a pele, são também cuidados a ter para prevenir e aliviar os sintomas associados a esta condição.

Contudo, a xerose cutânea não é um problema exclusivo dos meses quentes, pelo que os comportamentos a seguir para manter o bem-estar da pele devem ser tomados durante todo o ano. Até porque, no inverno, o frio também pode favorecer alterações na sua composição.

O Podologista, profissional habilitado na prevenção, diagnóstico e tratamento das patologias do membro inferior, nomeadamente do pé e das suas repercussões no organismo humano, poderá atuar no sentido de impedir, acompanhar e tratar eventuais complicações, que se podem desenvolver como consequência deste problema.

Artigo de opinião de Francisco Oliveira Freitas, podologista responsável pelo Centro de Podologia de Famalicão

“Passos em falso”: conheça os erros que prejudicam a saúde dos pés

Os nossos pés acompanham-nos em todas as jornadas da nossa vida, impulsionam-nos a ultrapassar os obstáculos com que nos deparamos e empurram-nos na direção das metas que vamos delineando. Contudo, são poucas as vezes em que nos apercebemos de todos os esforços que os nossos pés enfrentam no dia a dia.

Por serem a nossa base sólida de sustentação, são os pés que suportam o peso do nosso corpo e que funcionam à semelhança dos alicerces das casas, garantindo-nos o equilíbrio necessário para a adoção de uma boa postura corporal. Razão pela qual é enorme o desgaste a que estão submetidos quando, por exemplo, passamos várias horas em pé durante o horário laboral. Adicionalmente, os nossos pés funcionam como molas/alavancas durante a deambulação, impulsionando o corpo durante a marcha. Assumindo o arco longitudinal interno do pé um papel na absorção de impactos e no armazenamento de energia, os pés são assim responsáveis por receber e distribuir o peso do organismo, ao mesmo tempo que se adaptam às superfícies irregulares pelas quais caminhamos.

Com funções biomecânicas variadas e complexas, os nossos pés são compostos por três grupos ósseos (tarso, metatarso e falanges), músculos, ligamentos e articulações, sendo revestidos pela pele e estando as pontas dos dedos protegidas pelas unhas. Pela sua enorme relevância, é agora fácil perceber o quão crucial é protegermos todas as suas estruturas, evitando comportamentos incorretos que as podem prejudicar.

Quais são as consequências desses comportamentos comuns e inadequados?

É relevante ressalvar que a falta de mobilidade e o aumento dos níveis de sedentarismo, em resultado de alguns hábitos adquiridos face à pandemia, prejudicam a saúde dos pés e que entre as suas potenciais consequências se encontram a má circulação, as dores nos membros inferiores, o edema, a redução da flexibilidade, a atrofia muscular e o excesso de peso.

De seguida, importa falar sobre a utilização de sapatos com saltos altos e finos, que levam a uma diminuição da área de apoio do pé e a uma concentração do peso corporal, o que aumenta o risco de quedas, entorses e inflamação. Depois, e ainda relativamente ao calçado, destaco que o volume do pé aumenta durante o dia, pelo que é um erro não garantirmos uma margem suficiente entre a ponta do dedo grande do pé e o sapato, sendo o calçado apertado um fator potenciador de calosidades. Tendo isso conta, é preferível escolher um calçado com atacadores ou tiras de velcro, para que possa ser ajustado.

Enquanto o sol não brilha com todo o seu esplendor e o calor não se faz sentir, penso que é também importante alertar para os perigos de aproximar demasiado os pés das lareiras, dos aquecedores, dos radiadores ou dos sacos de água quente, uma vez que as altas diferenças de temperaturas são prejudiciais. Concomitantemente, pelo risco de queimadura, as pessoas com diabetes devem ter um cuidado redobrado.

Dado que a xerose cutânea não é um problema exclusivo dos meses quentes, deve adotar-se um comportamento preventivo durante todo o ano, no que diz respeito a este problema, que está relacionado com a desidratação da pele. Assim, os banhos de água demorados e excessivamente quentes, beber água em quantidades insuficientes e esquecer a hidratação dos pés são alguns atos que podem estimular uma pele áspera, irritada e sem flexibilidade, bem como o desenvolvimento de fissuras e gretas, que podem funcionar como uma porta de entrada para organismos patogénicos.

Adicionalmente, aderir à moda de usar sapatos sem meias ou preferir meias de materiais sintéticos são alguns erros relativamente comuns, que podem promover o desenvolvimento de infeções fúngicas. Já não trocar de meias, quando estas ficam húmidas ou molhadas, quer seja pelo excesso de transpiração ou devido aos dias de chuva, cria também um ambiente propício ao surgimento de micoses e irá provocar desconforto pela exposição da pele ao frio e à humidade, aumentando a sensação de arrefecimento e o risco de frieiras. Paralelamente, de modo a prevenir o desenvolvimento de fungos e o crescimento de bactérias responsáveis por maus odores, deve evitar-se usar o mesmo par de sapatos dois dias consecutivos.

Relativamente às unhas dos pés, fazer um corte arredondado dos cantos, não ajuda a que a unha cresça para além da pele nas margens do dedo, o que pode levar à onicocriptose (vulgarmente reconhecida como “unha encravada”).

Não consultar um especialista para avaliar o pé em caso de alterações visíveis ou dor é uma opção que pode levar ao agravamento de problemas podológicos e ao desenvolvimento de complicações.

Artigo de opinião de Francisco Oliveira Freitas, podologista responsável pelo Centro de Podologia de Famalicão

Úlcera do pé diabético: uma complicação da diabetes que deve ser prevenida

De acordo com os números da 10ª edição do Atlas da Diabetes da Federação Internacional da Diabetes, que será brevemente publicada, destaca-se um crescimento alarmante da prevalência global da diabetes, pelo que é imperativo divulgar estratégias para a prevenção da doença, que constitui um desafio para a saúde e bem-estar da sociedade. Contudo, é também crucial falar sobre a diabetes em si, cujo crescimento nos últimos dois anos foi de 16 por cento (o que representa mais de 74 milhões de casos), de forma a capacitar as pessoas com este diagnóstico, para que ajam no sentido de prevenir eventuais complicações.

Produzida pelo pâncreas, a insulina é uma hormona que atua no sentido de permitir que a glicose passe da corrente sanguínea para as células do corpo, sendo assim necessária para que o organismo possa utilizar a glicose no processo de produção de energia. Falamos em diabetes mellitus quando o pâncreas deixa de poder produzir insulina ou quando não a fabrica em quantidades suficientes, ou ainda quando o corpo não consegue fazer um uso adequado da insulina que produz, verificando-se a chamada resistência à insulina. Como resultado, esta doença metabólica crónica caracteriza-se pela subida anormal e não controlada dos níveis de glicemia (quantidade de glicose no sangue).

Podendo estar associada a diversas complicações clínicas passíveis de afetar a saúde e a qualidade de vida das pessoas com diabetes, a hiperglicemia (aumento excessivo dos níveis de glicemia), com o passar do tempo, pode provocar danos em vários tecidos do corpo e afetar os vasos sanguíneos e os nervos, bem como diferentes órgãos. Paralelamente, estes pacientes apresentam também um maior risco de desenvolver infeções.

A úlcera do pé diabético é uma complicação frequente e séria associada a esta doença crónica, estando vários mecanismos relacionados com o seu aparecimento, tais como a neuropatia diabética, a doença vascular periférica e as alterações biomecânicas.

As neuropatias são caracterizadas pela perda progressiva de fibras nervosas, sendo a neuropatia diabética uma das possíveis complicações da diabetes, com o aumento da glicose no sangue a ser descrito como uma das causas mais relevantes. As extremidades do corpo estão assim entre as áreas mais afetadas e, em particular, podem surgir alterações nos pés. No que diz respeito às alterações na parte sensitiva, a perda da sensibilidade merece particular atenção, dado que a perda da sensibilidade protetora plantar pode fazer com que as lesões não sejam percecionadas, acompanhadas e tratadas, o que pode ocasionar infeções e levar às amputações. Além disso, a pessoa pode deixar de sentir estímulos de temperatura. Face às lesões nos nervos e à sensação afetada, existe a possibilidade de se verificarem alterações na marcha e na forma como o indivíduo distribui o seu peso corporal, levando a uma maior concentração da pressão em determinadas áreas do pé, o que favorece o surgimento de calosidades.

Já a doença arterial periférica resulta na perturbação da circulação sanguínea em uma ou mais extremidades, existindo uma limitação no fornecimento de oxigénio e nutrientes, face à componente obstrutiva da doença. A aterosclerose é o principal componente responsável por esta condição, que constitui um dos principais fatores que contribuem para a lesão no pé diabético e que compromete a cicatrização das úlceras, podendo mesmo levar à morte dos tecidos.

Para a prevenção de possíveis problemas de saúde associados à diabetes mellitus, controlar os níveis de glicose no sangue é a chave, o que implica que os pacientes sigam o tratamento definido pela equipa de profissionais de saúde que os acompanham e que se mantenham vigilantes. A adoção de um estilo de vida saudável, assente numa alimentação adequada e na prática de exercício físico, tendo em conta as recomendações médicas, é também muito importante.

Simultaneamente, as pessoas com diabetes devem ter cuidados acrescidos com os seus pés, procurando erradicar os fatores de riscos das úlceras, como os traumas a que os pés podem estar sujeitos. Assim, para proteger os pés de lesões, evitar andar descalço e os saltos altos, preferir um calçado fechado, que se ajuste corretamente ao pé e que ofereça um suporte adequado, com um bom amortecimento e uma biqueira larga, optar por meias sem elásticos ou costuras, aliar uma higiene e hidratação diárias, não utilizar fontes de calor para aquecer os pés e cuidar bem das unhas, limando-as a direito com limas de cartão, são bons princípios. Observar minuciosamente os pés, ao final do dia, procurando modificações na pele e unhas, bem como consultar regularmente um podologista são também cuidados fundamentais.

O podologista, enquanto profissional habilitado na prevenção, diagnóstico e tratamento das patologias do membro inferior, procurará evitar a ulceração, identificando o risco para a úlcera diabética, que é também influenciado pela idade do utente, pela duração da diabetes e pela presença de úlcera e/ou amputação anterior. Já o tratamento terá em conta as características da lesão e se existe ou não infeção, de forma a evitar complicações mais graves.

Artigo de opinião de Francisco Oliveira Freitas, podologista responsável pelo Centro de Podologia de Famalicão

Saiba como vencer as micoses nas unhas dos pés

Localizadas nas extremidades dos dedos, as unhas protegem as pontas dos dedos dos pés e das mãos de agressões externas e permitem uma maior sensibilidade tátil. Porém, o processo de envelhecimento natural, a possível ocorrência de lesões e eventuais patologias e infeções podem colocar em causa o seu aspeto saudável, caracterizado por uma cor uniforme e rosada, bem como a sua dureza e resistência. Por isso, é importante vigiar alterações nas unhas, ao nível do seu formato, coloração e textura, e apurar, o mais cedo possível, se estas mudanças são consequências naturais, próprias do avançar da idade, ou sinais de algum problema de saúde.

As micoses estão entre as causas que podem levar a modificações nas unhas dos pés, podendo comprometer a sua saúde e aparência. Responsável por mais de metade das patologias que afetam as unhas e mais frequente nas unhas dos pés, a onicomicose (micose das unhas) é uma infeção provocada por microrganismos designados por fungos, que originam a doença quando encontram condições de humidade e temperatura favoráveis ao seu desenvolvimento e reprodução, assim como uma debilidade no hospedeiro, sendo, na maioria dos casos, causada por fungos dermatófitos.

Mais comum em pessoas com mais de 55 anos e no verão, pois passamos nesta época mais tempo na praia e na piscina (sítios propícios à proliferação de fungos) e porque se verifica também um aumento da transpiração nos pés (causado pelas altas temperaturas), a onicomicose é mais rara nas crianças. Embora, numa fase inicial, se revele silenciosa e não provoque dor, não devemos desvalorizá-la, dado que a onicomicose é uma infeção de elevado grau de contágio, transmitindo-se de pessoa para pessoa ou através do contacto indireto com objetos pessoais ou com superfícies contaminadas. Pelo que um caso de onicomicose pode estender-se a toda a família.

Coloração diferente, geralmente amarelada, perda de brilho, unhas deformadas, espessas, frágeis, quebradiças ou a “esfarelar”, resíduos presos debaixo da unha e descolamento do leito ungueal são alguns dos sintomas, que apresentam variações tendo em conta o tipo de fungo e a gravidade da infeção. As micoses nas unhas podem funcionar ainda como uma porta de entrada a agentes patogénicos causadores de infeções graves e, numa fase mais avançada, podem causar desconforto e dor.

Por forma a prevenir o contágio, é importante evitar andar descalço em ambientes húmidos, sendo recomendado o uso de chinelos em piscinas, saunas e balneários. Por outro lado, deve usar, sempre que possível, calçado arejado e que permita a ventilação do pé, bem como trocar de meias diariamente e sempre que estas estiverem húmidas. Preferir meias de fibras naturais (preferencialmente de algodão) e evitar utilizar calçado apertado são também bons princípios.

Deve ainda assegurar uma higiene cuidada dos pés, mantendo-os limpos e secos, especialmente entre os dedos. Relativamente ao corte das unhas, este deve ser feito em linha reta, sem cortar as cutículas e considerando que o comprimento das unhas não deve ultrapassar a ponta dos dedos. Em caso de excesso de transpiração é aconselhável aplicar um antitranspirante específico para os pés. Não é recomendável partilhar meias nem calçado.

No que diz respeito aos produtos de beleza e estética é preciso ter uma atenção especial, visto que o verniz pode levar à acumulação de humidade e o uso da acetona a unhas mais fracas e quebradiças. Por isso, evite utilizar verniz por mais de 15 dias, de forma a deixar as unhas respirar e de modo a não “camuflar” eventuais problemas. Nas idas ao salão de beleza, assegure-se de que todos os cuidados de higiene são cumpridos.

A onicomicose tem tratamento, sendo este, porém, um processo moroso, uma vez que um dos objetivos da terapêutica é alcançar uma completa renovação da unha, desde a raiz até à ponta, o que poderá demorar cerca de um ano. Os restantes objetivos passam por erradicar o patógeno causal e impedir a reinfeção.

O acompanhamento por parte de um podologista é crucial, de modo a instituir um tratamento adequado o mais precocemente possível, já que este terá em consideração a origem da infeção, o tipo de fungo, a gravidade do problema e a aparência da unha. As opções de tratamento incluem antifúngicos tópicos, medicamentos de toma oral e laserterapia (tratamento a laser).

Artigo de opinião de Francisco Oliveira Freitas, podologista responsável pelo Centro de Podologia de Famalicão

Pés saudáveis no verão: o primeiro passo para umas férias perfeitas

Dia após dia, os pés suportam o peso do nosso corpo e, por serem o nosso ponto de contacto com o solo, são os principais recetores de impactos, estando submetidos a uma grande tensão e desgaste. Fundamentais para a execução de diversas tarefas, em contexto desportivo e profissional, os pés estão assim vulneráveis à ocorrência de lesões e alterações.

Se várias são as profissões que implicam que os colaboradores estejam sentados à secretária durante as várias horas do dia, podendo o sedentarismo traduzir-se em impactos significativos na mobilidade da pessoa e na saúde dos seus pés, várias são as atividades profissionais que envolvem ficar em pé ou caminhar em superfícies duras por longos períodos. O que está, por exemplo, associado a um maior risco de fasceíte plantar, uma condição dolorosa que se deve à inflamação da fáscia plantar, uma banda de tecido fibroso que liga o calcanhar aos dedos. Por vezes, o trabalho poderá ainda exigir o uso de sapatos de salto alto, que conduzem a um aumento da pressão na parte da frente do pé, ou o uso de calçado apertado ou bicudo que, além das dores, pode potenciar o aparecimento de bolhas, calosidades, unhas encravadas, joanetes e deformações nos dedos.

Contudo, apesar das férias significarem possivelmente dias de descanso, o verão não significa que esteja imune ao surgimento de problemas podológicos. Pelo contrário, com uma maior exposição dos pés, o aumento das temperaturas e a alteração das nossas rotinas, os riscos aumentam e os cuidados a ter com os nossos pés também.

Sendo esta a época do ano mais propícia ao surgimento de micoses, face ao risco de concentração de transpiração no calçado e à tendência de passarmos os dias nas praias e piscinas, sítios que facilitam a proliferação de fungos, é crucial evitar o seu contágio através do contacto direto com a pele infetada ou com superfícies ou objetos contaminados, tendo o cuidado de utilizar chinelos nas zonas de banho e de não partilhar objetos de higiene ou de cuidado pessoal, como toalhas, corta-unhas, meias e calçado. Por outro lado, é preciso contrariar o desenvolvimento de condições favoráveis à sua proliferação, privilegiando um calçado arejado e que permita a ventilação do pé, como sandálias, de preferência, em pele.

Manter uma higiene cuidada, que inclui lavar os pés diariamente com água morna e um sabão de pH neutro, bem como secá-los com uma toalha macia, sem esquecer os espaços entre os dedos, trocar de meias, sempre que estas estiverem húmidas, para prevenir a concentração de humidade e o desenvolvimento de fungos e bactérias, recorrer a antitranspirantes e antissépticos e ainda colocar o calçado a arejar, num local ventilado, são medidas essenciais.

Na sequência de uma barreira lipídica comprometida, que não é capaz de reter água suficiente, a pele seca manifesta-se como áspera, irritada e sem flexibilidade. Os pés estão entre as partes do corpo mais frequentemente afetadas, existindo fatores instigadores, tais como mudanças sazonais, ar seco e contacto prolongado com a água, na sequência de banhos prolongados no mar, rio e piscina, que removem os óleos naturais que compõem a barreira da pele. Adicionalmente, a vulnerabilidade da pele seca pode representar riscos para a saúde, uma vez que esta torna-se frágil e perde elasticidade, podendo levar ao aparecimento de fissuras, especialmente em torno do calcanhar, que, em casos mais graves, podem causar dor e inflamação e que funcionam como uma porta de entrada para agentes patogénicos. Neste sentido, prevenir as queimaduras solares, tomar um duche com água doce, depois de um mergulho, e aplicar diariamente um creme ou loção hidratante é fundamental.

Os pés são também sensíveis à excessiva exposição solar, muito pelo facto de estarem “escondidos” a maior parte do ano pelo uso de calçado fechado. Assim, para evitar queimaduras solares, é necessário evitar a exposição ao sol nas horas de maior calor e aplicar protetor solar, com fator elevado de proteção, nos pés.

Alguns hábitos de verão podem também ser prejudiciais, tais como: a utilização regular/diária de chinelos de dedo, que pode potenciar a inflamação da fáscia plantar e o surgimento de problemas nos joelhos, ancas ou costas; utilizar verniz nas unhas dos pés por mais de 15 dias; e o uso de sapatos sem meias, dado que estas protegem os pés das bolhas e da fricção do pé contra o sapato e contribuem para o controlo da humidade.

Não comprometa as suas férias! Siga estes cuidados e vigie diariamente os seus pés e unhas. Além do aparecimento de manchas, vermelhidão, prurido (comichão) e mau odor, que podem ser sinais de micoses no pé, deve ficar atento ao surgimento de bolhas, descamação, calosidades, fissuras e feridas, bem como observar regularmente a coloração, formato e textura das suas unhas. Lembre-se de que a deteção atempada de alterações, permite um diagnóstico precoce e um acompanhamento adequado, por parte do seu Podologista.

Artigo de opinião de Francisco Oliveira Freitas, podologista responsável pelo Centro de Podologia de Famalicão

 

Conheça o melhor tipo de calçado para miúdos e graúdos

Os pés são os componentes finais dos membros inferiores e, por isso, são responsáveis pela sustentação do corpo, atuando como a nossa base de apoio e de equilíbrio. Além de desempenharem um papel fundamental na nossa postura, funcionam como uma alavanca no processo de locomoção, sendo submetidos a um ciclo sucessivo de carga e descarga.

Ao serem os constituintes do corpo humano que estabelecem diretamente o contacto com o solo, os pés oferecem estabilidade, suportam as agressões do terreno e absorvem os impactos quando caminhamos, corremos ou saltamos. Neste sentido, é fácil de percebermos a importância de protegermos os nossos pés, sendo esta a principal função do calçado.

Com a missão de preservar a integridade dos pés, os sapatos devem oferecer conforto e um bom suporte (com apoio na zona do arco do pé), proteger os pés dos fatores ambientais, evitar a sua exposição a riscos, como objetos pontiagudos e superfícies desconfortáveis, proporcionar uma boa tração, ajudando a prevenir as quedas, e amortecer os impactos dos pés com o solo.

Contrariamente a isso, o calçado pode funcionar como um agente agressor, pois optar por uns sapatos com as características erradas pode prejudicar a saúde e o desempenho do pé. Isto porque a utilização de calçado inadequado contribui para o surgimento de desconforto e dores, bem como para o desenvolvimento de lesões e deformidades nos pés, podendo, consequentemente, surgir problemas nos joelhos, ancas e costas.

Recomendações comuns para todas as idades

Para prevenir problemas podológicos, o sapato deverá ser adaptado à morfologia e tamanho do pé, uma vez que a utilização de calçado apertado, além do surgimento de dores, pode causar bolhas, calosidades, unhas encravadas e joanetes, tal como outros problemas a longo prazo. Particularmente no caso das crianças, dado que os seus pés estão em contínuo desenvolvimento e são frágeis, é de extrema importância que os pais verifiquem regularmente se o calçado se ajusta corretamente ao comprimento e à largura do pé, e que dispõe de espaço suficiente para que a criança possa mexer todos os dedos livremente.

Neste sentido, e tendo em conta que o volume do pé se altera ao longo do dia, saiba que o calçado deve ser comprado ao final da tarde, altura em que os pés estão inchados. Os nossos pés também não permanecem imóveis dentro do calçado, pelo que, para acompanhar o seu deslocamento ao caminhar, deverá existir uma margem de cerca de um centímetro, entre a ponta do calçado e a ponta do dedo grande. Já os sapatos excessivamente largos são um fator de risco para alterações ao nível da musculatura do pé e também causam desconforto, sendo que, devido à combinação entre pressão e fricção, podem levar igualmente ao surgimento de bolhas.

Para evitar as bolhas e calosidades, os materiais flexíveis e maleáveis devem ser a primeira escolha, assim como os materiais respiráveis que, por permitirem a ventilação do pé, deixando o ar circular e contribuindo para a absorção e evaporação da transpiração, ajudam a evitar o surgimento de micoses. Disso é exemplo o calçado em pele.

No respeitante à altura do calçado, esta não deve ultrapassar os quatro centímetros, de modo a evitar o risco acrescido de entorses, joanetes e inflamações, bem como a adoção de uma posição pouco natural do pé e alterações ao nível da postura, o que contribui para as dores nas costas.

Que características deve ter o calçado das crianças?

O pé infantil está em contínuo desenvolvimento musculosquelético e, por isso, a utilização de calçado adequado é fundamental para evitar impactos significativos para a saúde das crianças, que vão desde as reações cutâneas até às alterações estruturais, comprometendo a forma e a funcionalidade do pé. Além da comodidade, existem outros fatores que deve ter em conta:

  • A sola deverá ser resistente e flexível, de modo a permitir a mobilidade do pé, antiderrapante e relativamente fina, sem perder a capacidade de amortecer o impacto dos pés com o solo;
  • O sapato deverá ainda comportar os dedos na sua posição natural;
  • Para uma maior estabilidade do pé, o calçado da criança deverá possuir reforço na zona do calcanhar e os atacadores devem estar sempre bem apertados;
  • Os sapatos devem ficar abaixo dos tornozelos;
  • O calçado deve possuir apoio lateral.

Artigo de opinião de Francisco Oliveira Freitas, podologista responsável pelo Centro de Podologia de Famalicão (pode ver aqui o exemplo: https://www.postura.pt/conheca-os-cuidados-diarios-que-deve-ter-com-os-pes-mesmo-em-tempos-de-pandemia/ )

Conheça os cuidados diários que deve ter com os pés mesmo em tempos de pandemia

Neste período de pandemia, em que ‘prevenir’ é a palavra de ordem, é crucial relembrar a importância de prevenir também o surgimento de problemas nos pés, que são o alicerce da nossa postura, sustentando o corpo e permitindo a marcha.

Os pés são submetidos, dia após dia, a uma grande tensão e desgaste. Além disso, a possível ocorrência de traumatismos, a utilização de calçado inadequado, a adoção de posturas incorretas, os fatores ambientais e a ausência de cuidados, que podem tornar os pés vulneráveis à ação de bactérias, vírus ou fungos, contribuem para o surgimento de lesões e problemas podológicos.

Por passarem a maior parte do tempo escondidos pelo calçado, os pés são frequentemente esquecidos. No entanto, vigiá-los diariamente é o primeiro passo para a deteção de alterações, permitindo um diagnóstico precoce e um acompanhamento adequado, de modo a prevenir o agravamento de complicações resultantes, por exemplo, de feridas ou bolhas. Além de estar alerta para possíveis alterações da pele, que podem ser sinais de micose no pé, no respeitante às unhas, deverá estar atento a irregularidades relativas ao seu formato, textura e coloração.

Para proteger a integridade da pele e preservar a saúde dos pés, que estão muitas vezes sujeitos a condições de calor e humidade, que favorecem o desenvolvimento de fungos responsáveis por infeções, recomenda-se uma lavagem diária dos pés. Neste sentido, lembre-se de que uma correta higiene inclui: lavar os pés com água morna e um sabão de pH neutro; secá-los com uma toalha macia, sem esquecer os espaços entre os dedos; e a aplicação de um creme/loção hidratante, o que contribui para manter a pele dos pés suave e hidratada, protegendo-os dos agressores externos e ajudando a prevenir as calosidades.

Isto porque, ao contrário de outras áreas do corpo, através das quais o suor pode evaporar facilmente, o uso de sapatos e meias pode levar à concentração de humidade. Assim, e de modo a prevenir o desenvolvimento de fungos e o crescimento de bactérias responsáveis por maus odores, nomeadamente com a chegada da primavera, além de trocar de meias diariamente, deverá também alternar o seu calçado, evitando o seu uso contínuo. Aconselha-se que coloque os sapatos a arejar e que aguarde, pelo menos 24 horas, antes de calçar os mesmos sapatos novamente. Escolha também um calçado que permita a ventilação do pé, de preferência em pele, e meias de fibras naturais, preferivelmente de algodão.

Caminhar descalço tem as suas vantagens ao nível da circulação sanguínea, induzindo um estado de relaxamento perante os esforços a que os pés estão sujeitos no dia a dia. Contudo, mesmo em casa, deve evitar passar longos períodos sem calçado, uma vez que este tem como principal missão proteger os nossos pés, fornecendo-lhes estabilidade, com a capacidade de amortecer o impacto dos pés com o solo. Ao andar descalço está a deixar os seus pés expostos a perigos e também a impurezas, fazendo com que a pele perca a sua humidade e com que fique ressequida, o que pode levar ao surgimento de fissuras.

No respeitante ao calçado, não se esqueça de que este deve ter entre três a quatro centímetros de sola e não mais, uma vez que quanto maior for a altura dos sapatos, menor a superfície de apoio do pé. Já os saltos completamente rasos, como chinelos e sabrinas, são também uma opção a evitar, pois a sua sola é demasiado fraca para amortecer o impacto do pé nas superfícies duras. Além disso, não oferecem um bom suporte ao arco do pé, pelo que a sua utilização regular está associada ao desenvolvimento de fasceíte plantar. Os chinelos abertos deixam também o pé exposto, aumentando o risco de lesões.

Complementarmente, não deixe as unhas dos pés demasiado longas ou curtas. Tenha antes em conta a linha dos dedos como medida. Não faça um corte arredondado nos cantos, de modo a permitir que a unha cresça para além da pele nas margens, e lave primeiramente as mãos.

A Podologia é uma especialidade do ramo da saúde que tem como objetivo estudar, prevenir, diagnosticar e tratar todo o tipo de patologias que incidem a nível do pé, bem como todas as repercussões que atingem o sistema locomotor.

Artigo de opinião de Francisco Oliveira Freitas, podologista responsável pelo Centro de Podologia de Famalicão

Esporão do calcanhar: conheça os fatores de risco

O esporão do calcanhar é uma das mais de 300 condições patológicas que podem afetar os nossos pés e consiste numa protuberância óssea que se forma no osso do calcanhar, o calcâneo. Esta patologia é mais comum no sexo feminino, muito em virtude de uma má escolha do calçado, e em pessoas com excesso de peso, sobretudo acima dos 40 anos, devido ao desgaste natural.

Consequência de um processo fisiológico causado pela calcificação dos tecidos, este problema tem origem numa inflamação resultante de uma elevada e repetida pressão na planta do pé. Normalmente, o esporão do calcanhar manifesta-se por uma dor intensa nesta zona, semelhante a uma picada, uma vez que a este se associa a inflamação da fáscia plantar (fasceíte plantar), uma banda de tecido fibroso que liga o calcanhar aos dedos, que tipicamente se faz sentir quando nos levantamos da cama pela manhã e damos os primeiros passos.

Ainda que, muitas vezes, as inflamações que levam à formação desta pequena projeção de osso provoquem dor aguda, principalmente ao caminhar, correr ou saltar, cerca de 27% da população portuguesa sofre deste problema de forma assintomática.

Entre os fatores de risco que propiciam o desenvolvimento do esporão do calcanhar e da fasceíte plantar incluem-se a idade (faixa etária acima dos 40 anos), a obesidade, a utilização de calçado inapropriado, a presença de pé plano ou pé cavo, bem como a prática de atividades desportivas que implicam tensão sobre o calcanhar, como a corrida.

O diagnóstico do esporão do calcanhar é realizado com recurso a uma radiografia ou a uma ressonância magnética, sendo também importante fazer uma avaliação morfológica do pé, realizada por um Podologista, para um tratamento adequado e atempado. Este pode passar pelo uso de palmilhas personalizadas, fisioterapia e anti-inflamatórios, com o objetivo de reduzir a dor. Quando estes métodos não se revelam eficazes, a cirurgia é o tratamento que permite eliminar definitivamente a saliência óssea.

Para evitar o surgimento desta patologia é recomendável a realização de um correto aquecimento, antes da prática de exercício físico, contudo, a carga de atividade física deve também ser controlada. Além disso, é importante escolher o calçado adequado ao tipo de pé e apoio plantar, bem como à atividade do utilizador, sendo que os sapatos de salto alto e bicudos à frente devem ser evitados. O controlo do peso é também fundamental, de modo a que não se verifique uma sobrecarga dos membros inferiores, o que agrava a dor e a inflamação.

Cuide dos seus pés, tenha atenção à escolha do calçado e, em caso de suspeitar deste problema, consulte um Podologista. Assegure a sua qualidade de vida.

Artigo de opinião de Francisco Oliveira Freitas, podologista responsável pelo Centro de Podologia de Famalicão

Calosidades podem ser prevenidas

As calosidades, comummente denominadas por calos, constituem uma camada espessa de células mortas, que se forma no seguimento da contínua pressão exercida pela utilização de meias ou calçado inadequados, assim como pelo excessivo esforço físico a que o pé pode ser submetido. Existem fundamentalmente dois tipos de calos: os calos moles, que se desenvolvem entre os dedos, e os calos duros, que surgem nas extremidades dos dedos.

As principais causas para o aparecimento de calosidades são o uso de calçado inadequado e mal ajustado ao pé; a atividade profissional ou desportiva que implique fricção e pressão constante; as deformações ósseas e estruturais dos dedos (como por exemplo, os dedos em garra) ou alterações na forma como cada pessoa caminha.

Para evitar o aparecimento de calosidades é recomendável o uso de calçado adaptado à morfologia e tamanho do pé, uma vez que o uso de sapatos demasiado apertados poderá causar, a curto prazo, o aparecimento de calosidades, bem como problemas mais graves a longo prazo. Além disso, é importante diminuir ou eliminar a pressão excessiva que está na origem das calosidades. A hidratação em zonas mais propicias a calosidades, como os calcanhares, ajuda a manter a elasticidade dos tecidos, e por isso, pode contribuir também para a sua prevenção.

A avaliação morfológica do pé, realizada na consulta de Podologia, é um importante método de diagnóstico das possíveis origens das calosidades, ajudando assim, à indicação do tratamento mais adequado.  O podologista poderá ainda recomendar formas de alívio da dor, proceder à eliminação das calosidades e aconselhar sobre a melhor forma de prevenir o seu reaparecimento, nomeadamente através da escolha do calçado mais adequado ao pé, e, em situações concretas, fazer de forma personalizada palmilhas compensatórias.

Artigo de opinião de Francisco Oliveira Freitas, podologista responsável pelo Centro de Podologia de Famalicão